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Há lista de espera para compra de casas de luxo em Cascais

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A preferência vai mais para apartamentos em detrimento das moradias. A oferta é escassa

João Carlos Santos

Novo imposto sobre imóveis topo de gama não afasta brasileiros e sul-africanos, que esgotam oferta de apartamentos de luxo com vista para o mar

Marisa Antunes

Jornalista

O fantasma do imposto imobiliário não está ainda a afetar a venda de casas para o segmento mais alto, pelo menos nas contas da consultora JLL/Cobertura. O interesse dos estrangeiros mantém-se e paulatinamente alarga-se a outras zonas, depois do frenesim por bairros mais centrais da capital. Principalmente os seniores, que desejam não só segurança, sol e benefícios fiscais mas também tranquilidade e qualidade de vida.

O interesse é tal que em zonas como Cascais e Estoril existe atualmente uma lista de espera para imóveis com características específicas, aponta Patrícia Barão, diretora do departamento residencial da JLL. “Há neste momento muita procura — e não há praticamente oferta — de apartamentos com vista de mar, estacionamento, próximo do centro e valores a variar entre os 500 mil até a um máximo de €800 mil. Para este tipo de imóveis, temos atualmente uma lista de espera de clientes, a maioria estrangeiros”, diz a responsável da JLL/Cobertura.

A necessidade de angariar mais produtos nestas zonas levou a empresa a abrir recentemente uma loja no centro de Cascais que partiu de uma carteira com 775 unidades.

Entre os clientes que mais têm agitado o mercado do segmento médio alto e alto da Linha de Cascais estão os brasileiros (atualmente a segunda nacionalidade do top das atribuições dos vistos gold, depois dos chineses) e os sul-africanos (em quarto nessa tabela, depois dos russos).

“Os sul-africanos já vão surgindo em número relevante mas são claramente os brasileiros que estão a dinamizar a zona”, refere Patrícia Barão, acrescentando que privilegiam muito a proximidade do mar, do casino, dos bons restaurantes. “São clientes que se sentem muito pressionados com a situação do seu país e estão com muita vontade de vir para Portugal e fechar rapidamente o negócio. São pessoas com capacidade financeira, que querem cada vez mais investir na Europa (e desinvestir em Miami, por exemplo) mas não o querem fazer em Paris ou Londres. Portugal acaba por ser perfeito para eles porque partilhamos a mesma língua e oferece-lhes a proximidade a essas capitais europeias.”

Depois do Chiado vem a Almirante Reis

Outra realidade neste momento é a procura ativa por oportunidades imobiliárias em Lisboa em zonas onde os preços não ‘aqueceram’ muito. Com os valores no Chiado, Avenida da Liberdade e Príncipe Real a atingirem patamares já muito elevados entre os €8000 e os €10.000 o metro quadrado, quem está a comprar casa numa ótica de investimento, tem virado o seu foco para bairros como a Almirante Reis, boa parte da freguesia de São Paulo, Santos e Avenidas Novas. “Zonas para onde não se olhava há um ano e meio mas que agora estão a registar procura”, diz a responsável pelo departamento residencial da JLL/Cobertura, referindo que aqui os preços situam-se entre os €3500 e os €4000 por metro quadrado.