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Campus da Universidade Nova na mira de fundos estrangeiros

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A primeira pedra do novo polo da Nova SBE foi lançada há três semanas. A conclusão está prevista para março de 2018

Josá Carlos Carvalho

Investimento O potencial do fluxo de estudantes deslocalizados está a movimentar o mercado das residências universitárias

O novo campus da Nova SBE — School of Business & Economics, cuja obra arrancou há menos de três semanas junto ao terreno frente ao forte de São Julião da Barra, em Carcavelos, está já a movimentar fundos imobiliários que estão a colocar-se em campo para assegurar o rentável negócio de acomodar muitos dos 3500 estudantes universitários que ali começarão a chegar a partir de março de 2018. A residência universitária do próprio campus tem uma capacidade de cerca de 120 quartos.

Dos vários pedidos de informação que já chegaram à Câmara Municipal de Cascais, três estão com negociações mais adiantadas (dois de fundos estrangeiros e um outro de um grupo nacional), um destes já com localização definida num lote com cerca de 7000 m2.

O presidente da autarquia, Carlos Carreiras, adiantou ao Expresso que se trata de um projeto de um fundo de origem norueguesa que prevê uma capacidade para 230 quartos. “Temos sentido efetivamente muita procura, sendo que diversos pedidos surgiram de fundos que desenvolvem projetos já muito estruturados para residências universitárias. Um deles, de um fundo norueguês que vai ter acesso à propriedade municipal cedida atualmente ao Centro Recreativo e Cultural Quinta dos Lombos, tem um investimento implícito de €8 milhões e terá 230 quartos”, referiu o autarca. O fundo vai assegurar a continuidade do centro recreativo e desportivo, considerado uma mais-valia para a utilização dos futuros residentes.

Para estes investidores internacionais habituados a este tipo de aposta, a zona é mais que perfeita para rentabilizar: “Aqui a rentabilização excede os nove meses do ano letivo. Nos restantes três meses, durante o verão, sabem que podem colocar os quartos no mercado turístico”.

Sublinhando que a par do campus da Nova existem vários outros projetos centrados na captação de talentos — Escola Superior de Hotelaria (Estoril), Escola Superior de Saúde de Alcoitão (Alcabideche), projeto Luz/Católica para a criação de um hospital universitário, entre outros — que estão a dinamizar o mercado, Carlos Carreiras fala de um impacto de milhões para a economia local: “O nosso objetivo é ter 20 mil alunos (um terço dos quais estrangeiros) até 2020. Sabe-se que estes fenómenos acabam por incrementar entre 10% e 15% do PIB a nível do município, o que no nosso caso representa €15 milhões por ano”.

Com um Plano Diretor Municipal marcado por fortes restrições ao nível de expansão habitacional, a solução para fazer face a esta recente dinâmica imobiliária (impulsionada pelos estudantes universitários e estrangeiros residentes) passa pela requalificação urbana. “O que será muito benéfico para a autarquia em termos económicos pois iremos assistir ao mercado privado a movimentar-se”, realça o presidente.

Poucas casas à venda
Também a Câmara Municipal de Oeiras está atenta ao potencial de desenvolvimento económico associado ao impacto da Nova SBE, em construção na zona de Carcavelos. Não só por causa deste novo polo universitário mas também perspetivando a construção, na mesma zona, da futura escola da NATO de comunicações e sistemas de informação, que será integralmente financiada pela Aliança Atlântica, um investimento total de mais de €20 milhões, estimando-se que a sua concretização demore três anos.

Tudo somado, “prevê-se um significativo incremento dos serviços, comércio de proximidade, turismo e novas atividades lúdicas/desportivas”, refere Paulo Vistas, presidente da autarquia.
Estes projetos, em conjunto, têm suscitado já “alguma procura” a nível de possíveis investidores e, apesar de não ter ainda sido construído nenhum edifício especificamente com a função de residencial para estudantes, “a programação do solo urbano/urbanizável, nesta zona do concelho, possui algumas reservas importantes para as quais a Câmara de Oeiras tem dirigido e aconselhado os investidores, designadamente o Plano da Zona da Medrosa e a Fundição de Oeiras”. Nesta mesma perspetiva de promover o reforço da oferta de serviços de apoio aos estudantes, a Câmara de Oeiras salienta, ainda, “o potencial de conversão de algumas das fortalezas militares desocupadas” existente no litoral poente do concelho.

Entre os particulares, o mercado imobiliário está também a ser muito disputado na zona. Shoji Suzuki, dono da Remax Carcavelos, um cubano há uma década a comercializar imóveis na linha de Cascais, adianta que neste momento pouco há para vender nas proximidades do futuro polo: “E o que há, está com preços elevados — um T3 na Quinta de São Gonçalo (paredes-meias com o futuro campo universitário) custa em média €350 mil”. Tipologias pequenas, mais adequadas para os estudantes, são uma raridade — “os construtores não os faziam e a construção nova é inexistente”, diz Shoji Suzuki.

A procura começou antes da novidade trazida pela escola da Nova SBE. “Veio com os vistos gold que chegaram a comprar dois e três apartamentos para perfazer o montante dos €500 mil exigidos para a atribuição dos vistos”.

Sem arriscar uma valorização média para os imóveis que tem comercializado nos últimos três anos, desde que a procura se acentuou, o mediador da Remax não tem dúvidas que os preços vão inflacionar, à proporção da lei da oferta e da procura.

E o arrendamento também: “Neste momento um T3 nesta zona para arrendar não custa menos que €1000 a €1100 por mês”, diz o mesmo responsável.