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Verizon pondera cancelar compra da Yahoo por causa de ciberataque massivo

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Justin Sullivan

É a primeira vez que a empresa norte-americana fala publicamente sobre o potencial impacto do roubo de dados de 500 milhões de utilizadores da Yahoo no acordo de compra e venda que tinha sido alcançado em julho

A Verizon deu a entender na quinta-feira, pela primeira vez desde que a Yahoo anunciou que foi alvo de um megaciberataque, que o acordo de compra da multinacional cibernética por 4,8 mil milhões de dólares (4,35 mil milhões de euros) que foi alcançado em julho pode ser suspenso.

"Penso que temos uma base razoável para acreditar neste momento que o impacto [do roubo massivo de dados] é material", declarou o conselheiro-geral da Verizon, Craig Silliman, numa conferência de imprensa citada pelo "Washington Post". Segundo o jornal, um efeito "material" neste caso irá incontornavelmente danificar o valor financeiro da Yahoo e torná-la menos atrativa para compra.

Esta é a primeira vez que a gigante de telecomunicações indica que está com dúvidas sobre a aquisição da Yahoo, três semanas depois de esta última ter anunciado que, em 2014, foi alvo de um megaciberataque, o maior algum dia revelado publicamente, em que foram roubadas informações pessoais de 500 milhões de utilizadores.

Antes do anúncio, criticado por ter sido tardio, antecipava-se que o acordo de compra da Yahoo pela Verizon ia encerrar um tumultuoso capítulo na história da empresa cibernética, cujos executivos foram ao longo dos anos acusados de má gestão e de não conseguirem adaptar-se à indústria moderna da Internet. Agora, as revelações sobre dúvidas da Verizon colocam um ponto de interrogação sobre o futuro da Yahoo, cujo acordo de venda deveria estar concluído no primeiro trimestre de 2017.

Segundo Silliman, neste momento a Verizon está à espera que a Yahoo prove que o ciberataque aparentemente "patrocinado por um Estado" não danificou o seu valor. Se concluir que a invasão dos sistemas teve "impacto material" no negócio, então não estará garantida uma das principais provisões do acordo. Analistas do setor dizem que tal pode potenciar o recurso a uma cláusula do acordo que permite que a empresa de telecomunicações retire a sua oferta multimilionária da mesa.

Em comunicado, a Yahoo disse ontem estar "confiante no valor da empresa" e garante que "os trabalhos continuam em marcha rumo à integração na Verizon". A empresa tem sido duramente criticada por só ter anunciado que foi alvo de um ataque no final de setembro quando descobriu as falhas no sistema em agosto. A par disso, e ao contrário do que é comum acontecer quando são roubados dados de empresas cibernéticas, a Yahoo apontou o dedo a "hackers patrocinados pelo Estado" — com fontes oficiais da administração norte-americana a dizerem, sob anonimato, que o FBI acredita que foram hackers do Governo russo que expuseram 500 milhões de utilizadores, ainda que não haja uma conclusão oficial sobre a autoria.

O porta-voz da Verizon diz que a sua empresa já recebeu da Yahoo "briefings preliminares" sobre o ataque, mas sublinhou que "isto não está certamente concluído tendo em conta a quantidade de informação que ainda é preciso receber eles". Segundo Lowell McAdam, CEO da Verizon, a sua própria investigação ao ciberataque vai atualmente a meio.

Há quem refira no meio que a Yahoo pode argumentar que o ataque foi conduzido por um Governo estrangeiro, refugiando-se na cláusula de "força maior" ou evento impossível de evitar em vez de ser considerado um "efeito adverso material", para assim impedir que a Verizon abandone o acordo de compra.

Ontem, contudo, Silliman deixou claro que tal não teria qualquer impacto. "De uma perspetiva legal a questão sobre se foi um ataque patrocinado por um Estado não é verdadeiramente relevante deste ponto de vista. A questão é se este ataque teve um efeito material ou adverso no bem que vamos comprar."

Na semana passada, o tablóide "New York Post" tinha sugerido que a Verizon vai tentar obter um desconto de mil milhões de dólares na aquisição, uma informação que foi refutada por McAdam como "totalmente especulativa".