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Juros da dívida em queda em dia de Orçamento de Estado

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Os juros das Obrigações do Tesouro continuam em trajetória de descida depois do pico de 7 de outubro. A 10 anos desceram esta sexta-feira de manhã para 3,3%. Rentabilidade da dívida portuguesa desde início do ano continua em terreno negativo, mas melhorou

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português estão em queda esta sexta-feira no mercado secundário da dívida soberana em todos os prazos, com destaque para a maturidade a 2 anos. No prazo de referência, a 10 anos, as yields das OT desceram pelas 10 horas para 3,34%, um nível próximo do registado no final de setembro e claramente abaixo do pico de quase oito meses verificado a 7 de outubro, quando chegaram a subir acima de 3,6% durante a sessão. O dia será marcado pela apresentação do Orçamento de Estado para 2017.

Desde 10 de outubro que a trajetória das yields das OT a 10 anos tem sido descendente. O prémio de risco caiu de mais de 357 pontos base a 7 de outubro para 328 pontos base na manhã desta sexta-feira. O que significa que o diferencial em relação ao custo de financiamento da dívida alemã desceu de mais de 3,5 pontos percentuais para 3,3 pontos percentuais. Cada 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual e a dívida alemã a 10 anos serve de referência na zona euro.

O custo de financiamento da dívida portuguesa de longo prazo registou um segundo pico do ano a 7 de outubro pela confluência de vários fatores negativos, uns externos, que contagiaram toda a zona euro (rumor sobre uma redução antecipada do programa de compra de ativos do Banco Central Europeu, temor a uma nova crise de confiança no Deutsche Bank, e derrocada instantânea da libra), e outros internos, como a especulação sobre um segundo resgate a Portugal a partir de declarações do comissário europeu Günther Oettinger na Assembleia da República portuguesa. O rumor sobre o BCE verificou-se ser infundado e outro comissário europeu, Carlos Moedas, enterraria a especulação sobre o segundo resgate.

No plano da rentabilidade da dívida portuguesa, o índice da Bloomberg melhorou significativamente, ainda que se mantenha em terreno negativo, sendo o único nesta situação nas economias desenvolvidas. O retorno negativo desde início do ano registou um pico dos últimos três meses de -3% a 7 de outubro. No final desta quinta-feira, subiu para -1,85%. O máximo do ano do retorno negativo verificou-se na crise de 11 de fevereiro motivada pelo auge do risco de Grexit e pela reação negativa internacional à decisão do Banco de Portugal em transferir dívida sénior do Novo Banco para o BES “mau”. Então a rentabilidade desde início do ano caiu para -7,5%.

O andamento do custo da dívida soberana portuguesa é altamente vulnerável a choques externos (por exemplo, andamento da poltica monetária do Banco Central Europeu, incerteza politica elevada em membros da zona euro, crise do sector bancário da zona euro, evolução do terceiro resgate à Grécia) e muito sensível a stresses internos (impacto de tensões na negociação com Bruxelas e revisões de rating por agências de notação).

O mês de outubro será marcado pelos sinais da Comissão Europeia sobre o 'rascunho' do Orçamento de Estado português para 2017 e a avaliação da consolidação orçamental em 2016 (com a meta de uma queda do défice orçamental para 2,5% do PIB) e pela decisão da agência de notação canadiana DBRS sobre o rating da dívida de longo prazo portuguesa a 21 de outubro.

Também na próxima semana, no dia 20, o Banco Central Europeu realiza a sua reunião de política monetária, e Mario Draghi, o seu presidente, poderá clarificar as perspetivas sobre o programa de compra de ativos (vulgo quantitative easing) que está previsto terminar em março de 2017.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos chegaram a subir até 3,6%, um nível que já não se registava desde meados de fevereiro. Stresse do rating e regresso da especulação sobre “segundo resgate” a Portugal juntaram-se a rumor sobre redução do QE do BCE e risco de nova crise mundial agitado por Schäuble no FMI