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Um dia nos automóveis. Indústria de componentes celebra “50 anos de competitividade”

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Europarque acolhe esta quinta-feira 200 industruais para debater a indústria automóvel. O ambiente no sector dos componentes é de otimismo, apesar da haver ameças no horizonte

A indústria de componentes automóvel celebra esta quinta feira no Europarque as bodas de ouro (50 anos) da sua sua associação empresarial, a AFIA- Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.

Um encontro com 200 participantes para trocar experiências e três painéis para sistematizar as novas tendências e avaliar o grau de competitividade, num momento em que o sector português revela pujança, com as exportações a crescerem pelo quarto ano consecutivo.

O ano de 2016 "está a correr bem e não se esperam sobressaltos porque as encomendas não registam nenhuma quebra", responde a AFIA ao Expresso. As exportações estão a crescer 10% e devem fechar 2016 perto dos 7 mil milhões (85% da produção).

Fatores adversos

Apesar do ambiente de otimismo, o sector lida com fatores adversos que ameaçam a prosperidade das empresas. O aumento dos custos da energia e das operações logísticas, o peso crescente dos impostos e taxas de diversa natureza, a inflação salarial superior ao aumento da produtividade e riscos de retrocesso na flexibilidade laboral, são as principais preocupações que os industriais não deixarão hoje de acentuar e serão vertidas nas conclusões do seminário.

E o futuro? “Um forte crescimento só se poderá concretizar através das exportações, já que o mercado português é limitado", responde a AFIA. No mercado português "haverá um provável crescimento, tendo em conta que as duas principais fábricas de automóveis em (Autoeuropa e Peugeot Citroen) anuniciaram a produção de novos modelos para os quais a indústria nacional já garantiu encomendas e suscitaram já novos investimentos".

A esperança da direção da AFIA, presidida por Tomás Moreira, é que Portugal consiga a prazo, "atrair mais um construtor de automóveis". Tal implica que a economia do país "assegure condições de estabilidade e competitividade que garanta a confiança dos investidores", ações concertadas entre entidades públicas e agentes da indústria e uma "profunda alteração da política de captação de investimento estrangeiro".

O efeito Mobinov

Filipe Villas-Boas, presidente da Associação Portuguesa de Fundição e participante no painel Competitividade & Concorrência subscreve a visão otimista e regista sinais de confiança no futuro da indústria. A "indústria de componentes está a ganhar quota de mercado a um ritmo animador e regista um crescimento superior ao mercado automóvel europeu", refere.

O industrial da Schmidt Light Metal (SLM) nota que a região fronteiriça luso-espanhola permanece muito atrativa e "as empresas instaladas em Portugal continuam a investir e a expandir a produção", o que demonstra que as marcas "confiam e aumentam as encomendas aos fornecedores portugueses".

Um automóvel básico conta com 15 mil peças, um terço das quais são específicas e incorporam tecnologia mais sofisticada. É neste segmento, que em valor representará dois terços do negócio, que os fabricantes de acessórios se deverão focar.

Filipe Villas-Boas encontra ainda um novo fator de entusiasmo: a constituição do cluster da indústria automóvel - o Mobinov, em fase de instalação. A associação Mobinov congrega as vontades e visões da AFIA e da ACAP - Associação Automóvel de Portugal, que representa os construtores com bases em Portugal.

É "uma nova e virtuosa realidade que reforçará a articulação entre os agentes e tem todas as condições para dinamizar a fileira automóvel e valorizar a competitividade e internacionalização", diz Filipe Villas-Boas.

A faturação do universo automóvel português supera os 11 mil milhões de euros, 7% da riqueza produzida em Portugal.