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Mota-Engil 2020: receita de €4000 milhões, com menos dívida e mais rentabilidade

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António Mota

Rui Duarte Silva

O conglomerado construtor quer crescer 12% ao ano e libertar em cinco anos liquidez operacional de 1000 milhões de euros

É de grandes números que se faz a Visão 2020 da Mota-Engil, que esta quinta-feira divulgou o seu novo Plano Estratégico, através de uma apresentação enviada à Comissão do Mercados de Valores Mobiliários.

Em 2020, o conglomerado da fileira da construção conta superar a cifra mágica dos 4000 milhões de euros de receita e gerar um lucro operacional (EBITDA) de 600 milhões. Em cinco anos, a Mota-Engil promete quase duplicar receitas e o resultado operacional – os dois valores comparam, respetivamente, com 2400 milhões e 370 milhões registados em 2015. Um crescimento anual em média de 12%.

O plano traduz um reforço na continuidade, sem alterar a atual estrutura de negócio de um grupo que já arrumou a casa com a alienação de operações acessórias.

São as três regiões em que opera – Europa, África subsariana e América Latina – que corporizam esta nova ambição. Mas, 70% das receitas resultarão das operações em África e América Latina.

O grupo da família Mota promete uma "expansão seletiva e progressiva", mas não encara a expansão para países exteriores às atuais regiões. O documento não detalha as intenções para mercados específicos, como Angola ou México.

950 milhões de dividendos em cinco anos

Entre as prioridades enunciadas pela Mota-Engil encontra-se a aposta firme na geração orgânica de cash-flow, calculando que a liquidez liberta (diferença entre receitas e despesas operacionais) seja, no período 2016/20, a 1000 milhões de euros.

Para distribuição aos acionistas, o grupo, admite um valor superior a 450 milhões de euros, a que somará a mais-valia de 500 milhões resultante das vendas da Tertir, Indáqua Ascendi e ativos imobiliários.

O reforço da estrutura de capitais e a redução da dívida líquida (1400 milhões de euros em 2015) que em 2020 financiará apenas o fundo de maneio, negócios exteriores à construção e participações financeiras em concessões, é outro dos objetivos consagrados do novo plano estratégico.

A Mota-Engil cita ainda como prioridades a expansão na cadeia de valor das infraestruturas, otimizando a estrutura organizativa e reforçando a rentabilidade, e o crescimento na faturação até à meta dos 4000 milhões de euros, "com menor exigência de fundo de maneio".

O desígnio é manter, em nome da gestão do risco e do crescimento sustentável, "um crescimento homogéneo, balanceado pelas três regiões" em que opera.

Mas é na retoma das economias africanas, impulsionadas pela recuperação do preço das matérias primas, que a Mota-Engil mete mais fé. O grupo regista " a apetência de investidores para financiamento de grandes projetos em África e América Latina". Em cada uma das regiões, contará com dois mercados nucleares que assegurem pelo menos 60% do negócio.

África suporta resultado operacional

Em 2015, a Europa foi ainda a região que mais contribui (40%) para o volume e negócios, superando ligeiramente África. A aritmética muda em 2020, com a duplicação da receita em África (1600 milhões de euros) e América Latina (1200 milhões), alinhada com a projeção para a Europa.

Já na geração de resultados, a distribuição será diferente. Os 12 mercados africanos serão responsáveis por 48% do lucro operacional.

A Visão 2020 da equipa de Gonçalo Moura Martins atualiza o anterior programa estratégico (2013) e será esta quinta-feira de tarde debatida em conferência telefónica com os analistas que seguem a empresa.

No documento, a Mota-Engil define-se como "uma referência à escala global na cadeia de valor das infraestruturas, alinhada com as melhores práticas do mercado ao nível da produtividade, com uma permanente inovação, reconhecida competência e uma identidade forte". Cita como "objetivos críticos", o crescimento, rentabilidade, sustentabilidade, ética empresarial, equilíbrio regional e cadeia de valor de infraestruturas.

Maior seletividade de projetos

O grupo promete "maior seletividade de projetos", desinvestimento em ativos não estratégicos, concentração em projetos com escala e maior rentabilidade, a preferência por em clientes menos dependentes da volatilidade dos mercados emergentes e a aposta nos negócios de serviços à comunidade, como resíduos e energia.

No capítulo das parcerias, a Mota-Engil deseja firmar alianças estáveis em novos mercados e, ao mesmo tempo, aprofundar as já existentes em Angola (consórcio da Sonangol e BPA), Brasil (Bonsucesso, sócio da construtora local) e México (Prodi).

No plano financeiro, as parcerias vão focar-se na abordagem a "projetos de raiz de conceção, construção e operação como a que existe com o Novo Banco" e o aprofundamento de relação com bancos com cobertura global que apoiem o grupo internacionalmente".

A estratégia financeira concede prioridade "às fontes de financiamento local em cada região para gestão de tesouraria e liquidez". E acolhe ainda a racionalização do investimento e otimização do fundo de maneio, o fomento de parcerias financeiras de longo prazo e a diversificação de fontes de financiamento.

Na sessão desta quarta-feira, as ações da Mota-Engil fecharam em baixa ligeira (-0,23%). Em 2016, a empresa perdeu 11% do seu valor em bolsa e vale agora 407 milhões de euros.