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Forum para a Competitividade diz que Portugal terá de crescer a 3% ao ano

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Portugal tem sido ultrapassado por vários novos membros da União Europeia, apresentando atualmente um potencial de crescimento de apenas 1,2%, que o Forum para a Competitividade quer dinamizar para níveis médios anuais de 3%

Se nada for feito, o atual potencial de crescimento económico português - de apenas 1,2%, segundo o FMI - vai "conduzir o nosso país a um irreversível empobrecimento relativo" face à União Europeia, alerta o Forum para Competitividade, no seminário "Portugal - uma estratégia para o crescimento" hoje realizado no Centro Cultural de Belém. Entre as principais metas macroeconómicas propostas para o período de 2017-2026 está o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a um nível médio de 3% e o desemprego a cair para 6,7% em 2016.

O caminho para retomar o crescimento português passa inevitavelmente por "angariar investimento direto estrangeiro exportador", "diminuir custos de contexto" e "assegurar uma formação genuinamente qualificante", defenderam os economistas participantes no seminário.

Numa análise do estudo "10 anos – um cenário de mudança radical", o Forum para a Competitividade debateu como poderá ser Portugal se forem postas em prática um conjunto coerente de estratégias sectoriais e de políticas públicas.

A apresentação das metas macroeconómicas 2017/2026 foi feita por Pedro Braz Teixeira, com comentários de António Nogueira Leite, Daniel Bessa e José Félix Ribeiro.

Presidido por Pedro Ferraz da Costa, o Forum para a Competitividade apresentou hoje o projecto “Portugal – Uma Estratégia para o Crescimento” onde pretende fazer o levantamento e propôr as soluções para as principais questões que se colocam à economia portuguesa.

É por isso que o Forum para a Competitividade criou uma dezena de grupos de trabalho sectoriais que deverão apresentar medidas gerais e sectoriais para alcançar estas metas, entre as quais se destacam casos concretos de investimento externo a angariar para Portugal.

O objetivo do Forum para Competitividade é alterar radicalmente o paradigma de crescimento nos próximos 10 anos, ultrapassando as discussões de curto prazo, como é o caso do Orçamento do Estado para 2017 que agora começa a ser apresentado. Estes trabalhos vão culminar na apresentação de um relatório sectorial e um relatório final.

Na reflexão sobre o passado recente, nota-se que entre 1986 e 2010 Portugal foi o país da União Europeia onde se registou o maior crescimento do peso da despesa pública, de 36% para 50% do PIB, "a crescer sempre antes do tempo, antes das receitas o permitirem", refere o Forum. "Houve também um enviesamento no betão em detrimento da qualificação das pessoas", refere ainda.

Comparativamente, "Portugal teve a pior década e meia de crescimento económico dos últimos cem anos, foi, com a Grécia, o único país dos países mais pobres que divergiu da média da União Europeia", refere uma análise do Forum.

Mas, pior: "Portugal viu-se ultrapassado já por seis dos novos membros da União Europeia, havendo outros que se aproximam, viu o rendimento por habitante da China passar de 12% do português em 1995 para 51% em 2015 e prevendo-se que atinja os 66% em 2021", refere a análise do Forum.

Neste enquadramento, considera que "as reformas impostas pela troika foram insuficientes, quer no seu projeto inicial, quer na sua dificultada execução, sendo o nosso atual potencial de crescimento de apenas 1,2% o que, se nada for feito, nos conduzirá a um irreversível empobrecimento relativo face à Europa".

"O nosso grave problema de estagnação económica desde a última década e meia tem duas dimensões: por um lado, o crescimento do PIB foi baixissimo, por outro lado esse crescimento só foi conseguido à custa de um endividamento externo crescente, cujos juros diminuem o rendimento nacional, que tem tido uma evolução ainda mais negativa", refere a análise do Forum.

Esta realidade é "grave por implica uma estagnação do nível de vida dos portugueses, ultrapassados pelos novos membros da União Europeia e também porque implica muito mais restrições sobre o Estado social do que as que sempre existiram devido ao envelhecimento", adianta o documento.

"Todos os outros países menos prósperos da União Europeia cresceram acima da média", e "Portugal tem sido ultrapassado por vários novos membros, como a Eslováquia, a Estónia e a Lituânia, que há 20 anos tinham apenas um nível de rendimento per capita (em Paridades de Poder de Compra) de cerca de metade do português", comenta.

Neste momento há um conjunto de economias que está cada vez mais próximo do nosso nível de rendimento por habitante, quer na Europa, quer no resto do mundo, com destaque para a Polónia, Malásia, Hungria e Letónia.