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BPI: OPA do CaixaBank é oportuna mas preço por ação podia ser melhor

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Nuno Fox

Conselho de administração do BPI valida a oferta publica de aquisição (OPA) do CaixaBank mas diz que o preço podia melhorar. Edgar Ferreira, representante do grupo Violas na administração do banco, renunciou ao cargo.

O conselho de administração do BPI, onde estão sentados os maiores acionistas do banco, aprovou a OPA do grupo espanhol CaixaBank.

O BPI considera a OPA "oportuna " e "amigável" porque pode "reforçar a capacidade do BPI para enfrentar os desafios e oportunidades que se colocam ao sector bancário, designadamente pressão significativa sobre as fontes de receitas, crescentes exigências de capital, aumento dos custos regulatórios, transformação digital e consolidação".

Até aqui nada de novo. No entanto, e apesar de aprovar as condições do CaixaBank que já detem 45,5% do capital do BPI, o conselho de administração faz uma avaliação do preço da ação do BPI em alta face ao preço oferecido pelo CaixaBank. O BPI aponta para uma avaliação de 1,38 euros por acção, o preço oferecido na OPA é de 1,134 euros. Recorde-se que a avaliação feita pelo BPI no passado tinha sido de 1,54 euros por ação, mas a venda de 2% do Banco de Fomento Angola (BFA) à Unitel alterou a avaliação da administração. O BPI irá perder o controlo do BFA para a Unitel, e como refere em comunicado, "a circusntância de não haver certeza quanto ao momento e termos em que o valor da participação do BPI no BFA poderá ser monetizado", conduziu a ajustamentos em baixa no preço que considera justo neste momento.

Já o CaixaBank refere no prospeto da oferta que “sem prejuízo de nos últimos anos o BPI ter feito um esforço muito destacável para melhorar a sua posição competitiva em Portugal, em particular em termos de redução de custos, é de esperar que a sua pertença a um grupo bancário de maior escala (...) permita alcançar maiores níveis de eficiência, produtividade e rentabilidade no contexto do sector bancário doméstico mais competitivo e exigente.”

O CaixaBank pretende como já havia referido que o BPI mantenha o "estatuto como entidade independente, mantendo uma linha geral de continuidade no que concerne às suas atividades e apoiando a equipa de gestão". O CaixaBank refere ainda que “apesar do ambiente económico e financeiro complexo existente no mercado português, está confiante quanto à capacidade da atual equipa de gestão do BPI para beneficiar da expectável recuperação da economia portuguesa e, juntamente com a partilha das melhores práticas e exportação de know-how onde tal se apresente apropriado, atingir a liderança no setor bancário de retalho em Portugal”.

São vários os elogios à gestão do BPI no que toca á gestão de riscos prudente e uma sólida base de clientes, no entanto o CaixaBank insiste, como já o havia feito na primeira tentativa de controlar o banco, que é prioritário "apoiar o BPI na recuperação da rentabilidade do seu negócio bancário doméstico, com a geração de sinergias que estima em cerca de 119 milhões de euros por ano; a este respeito, refere o Projecto de Prospecto da Oferta que “ (…) o Oferente (CaixaBank) está preparado para aportar à Sociedade Visada (BPI) recursos financeiros e tecnológicos para aumentar a rentabilidade e o crescimento da atividade nas suas áreas principais de atuação”.

Custos têm de baixar, sobretudo os custos com pessoal

Quanto às sinergias de custos, o CaixaBank esclarece que "consistem basicamente em reduções de custos gerais resultantes da implementação de processos de otimização e de redução de custos de pessoal.” E prevê que a implementação gradual de sinergias possa gerar "até €84 milhões de poupanças no negócio", do BPI, "durante um período de 3 anos. Estas sinergias para poupar resultarão de vários fatores como: “racionalização de processos operacionais ao nível da sede; benefícios de escala, com procedimentos conjuntos de adjudicação de contratos públicos (…); infraestruturas de IT e optimização da arquitectura (…); subcontratação de diversos serviços de back-office, canais de distribuição, desenvolvimento de produto e outros serviços e funções (…)”.

E sublinha que “a redução de despesas de pessoal derivadas de quaisquer reestruturações laborais seriam realizadas pelo Oferente (CaixaBank) com estrito cumprimento dos parâmetros sociais que têm vindo a ser observados (...) dando prioridade a reformas antecipadas e lay-offs incentivados”.

Receitas terão de crescer

No projeto de prospeto da oferta, o CaixaBank estima "alcançar sinergias de receitas no valor de 35 milhões de euros antes de impostos (5% do total de receitas do BPI). Para alcançar este objetivo, o CaixaBank quer incrementar as vendas cruzadas (cross selling), "através da rede de retalho, com especial foco no setor bancário e segurador, dado o gap que actualmente existe entre a Sociedade Visada em Portugal (BPI) e os seus principais concorrentes em termos de rendimentos domésticos recorrentes (margem de taxa de juro líquida e comissões) e volume de negócio doméstico (empréstimos e depósitos) por trabalhador (…)”.

O desenvolvimento de uma estratégia multicanal será outras das ajudas prometidas pelo CaixaBank para melhorar determinadas áreas de negócio, "seguindo o modelo de negócio" do CaixaBank. E exemplifica: "tais como pagamentos/cartões eletrónicos (pré-pagos, emissão, aquisição), crédito ao consumo e gestão de patrimónios", assim como "atualizando funcionalidades relacionadas com banca online e móvel". O apoio no que toca a desenvolver áreas de cariz transfronteiriço, também foi pensado pelo CaixaBank, nomeadamente as áreas de negócios como "banca de investimento, a banca corporativa e a gestão de ativos, assim como a gestão de riscos e as melhores práticas de auditoria”.

Segundo o CaixaBank, o "total do valor estimado das sinergias de custos e de receitas", poderá ascender "a €119 milhões, pelo que "espera que o rácio de rendimentos-custos recorrentes da Sociedade Visada (BPI) evolua dos atuais 74% para à volta de 50% ou inferior em 2019 (…)”.

O Conselho de Administração do BPI face ao exposto, "considera que há um potencial para sinergias, para cuja obtenção uma colaboração mais intensa com o CaixaBank se poderá revelar proveitosa".

Entretanto, o grupo Violas, representado por Edgar Alves Ferreira, renunciou ao cargo no conselho de administração. O maior acionista português do banco liderado por Fernando Ulrich já havia dito que iria vender as ações que detém no BPI, por não concordar com as condições da OPA e a estratégia do grupo espanhol para o BPI.