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“Uma espectadora agradeceu-me por poupar 57 mil euros no crédito à habitação”

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AUTOR. O jornalista Pedro Andresson, da SIC

RUI RODRIGUES/CONTRAPONTO

O jornalista Pedro Andersson, que dá dicas de poupança na SIC e no Expresso Diário, reuniu as melhores sugestões de como poupar dinheiro, num livro que acaba de chegar às bancas. Falámos com ele e ficámos a saber como surgiu a ideia, como arranja os temas e quais as maiores dúvidas dos leitores e espectadores. E, já agora, entre as 120 sugestões de poupança que já fez, escolhemos cinco gestos simples com os quais é possível poupar mais de mil euros por ano

Pedro Andersson, 43 anos, foi um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias, em 2000. No canal de Carnaxide é hoje responsável pela rubrica líder de audiências “Contas-Poupança”, dedicada às finanças pessoais. Tenta levar a realidade do dia a dia - a sua e a dos telespectadores que o contactam - para as reportagens que realiza. No livro, explica, nomeadamente, como faz para poupar mais de 100 euros por mês, incluindo comprar de uma assentada o detergente para a roupa para os próximos dois anos.

Como é que surgiu a ideia da rubrica?
Ao contrário do que possam pensar, não tenho formação nem de economia nem de finanças. Sou apenas um jornalista que na altura da crise percebeu que, com os cortes salariais, ia começar a ter dificuldades para pagar todas as despesas e compromissos que tinha assumido nos anos anteriores. Sentei-me, peguei em todas as minhas faturas e contratos, e comecei a fazer contas, para perceber para onde estava a ir o meu dinheiro. E percebi que estava a pagar demais em muitas áreas, sem necessidade. Comecei a ver na concorrência se me faziam mais barato por cada contrato que tinha. Descobri que em todos os casos podia ter igual ou melhor por muito menos dinheiro.

Quantas dicas de poupança já deu até agora?
Já são quase 120. Sempre temas diferentes, e uns mais relevantes financeiramente do que outros. Mas todos eles melhoram ou facilitam a nossa vida. Não nos podemos esquecer que reduzir 10 euros em 5 pequenas coisas é o equivalente a reduzir em 50 euros uma despesa mensal. Ao fim do ano, estamos a falar de 1200 euros a mais que ficaram na minha carteira para gastar como eu quiser e que não “voaram pela janela fora”.

Onde é que arranja os temas?
No meu dia a dia, em conversa com amigos e colegas, na gravação das reportagens. Às vezes é o próprio entrevistado que me diz: “olhe e porque é que não fala disto ou daquilo?” Coisas de que não fazia ideia. E agora no Facebook e no blogue do Contas-poupança recebo dezenas de sugestões dos próprios espectadores. Mas faço questão de testar sempre as dicas primeiro. Só faço reportagem se resultarem de facto.

Que sugestões é que os espectadores lhe enviam?
Por exemplo: uma espectadora mandou-me uma mensagem a agradecer, porque tinha poupado 57 mil euros por ter mudado o crédito à habitação (1.600 euros por ano). Liguei-lhe logo e marcámos a reportagem para ela explicar como tinha feito. Foi das reportagens mais vistas de sempre. Nos dias seguintes milhões de euros passaram de uns bancos para os outros, com benefício para o consumidor. Fico muito contente quando vejo que as reportagens podem fazer a diferença na vida das pessoas.

Quais são as principais dúvidas colocadas pelos espectadores?
Como se relacionar com bancos, seguradoras e Estado. Muitos consumidores têm receio de enfrentar estas instituições ou não sabem que podem e como devem fazê-lo. Reclamar ainda é quase tabu. Muitos preferem ficar a perder do que ter trabalho. Isso tem de mudar, e já noto que está a mudar.

O espaço é líder de audiência dentro do “Jornal da Noite”. É a prova que os portugueses estão à procura de fórmulas para fazer render o seu dinheiro?
Sim, tem sido líder de audiências quase ininterruptamente. Fico muito contente com isso. Revela que os portugueses gostam de informação que seja útil e prática. Percebe-se que há consumidores sedentos de informação sobre coisas que possam melhorar a sua vida. As dificuldades financeiras obrigaram muitos a buscar informação que antes lhes passava ao lado ou que não existia.

De todas as dicas que deu, qual foi aquela que lhe permitiu poupar mais dinheiro?
No meu caso pessoal foi no seguro de vida do crédito à habitação. Estava a pagar 120 euros por mês e consegui reduzir para metade, apesar de estar “agarrado” ao spread. Ora 60 euros por mês são 720 euros por ano e representa mais de 25 mil euros no tempo que me falta pagar de empréstimo. E agora vou reduzir esse valor outra vez. Mas baixei também os seguros dos carros, poupo mensalmente nos combustíveis, nas compras do supermercado (faço compras com 80, 90, 100% de desconto), na eletricidade, no gás, na água, nos impostos (baixei o meu IMI 120 euros por ano) e recebo o máximo possível de reembolso no IRS, etc, etc. Foram milhares de euros que ficaram no meu bolso ao longo destes 5 anos.

Todas as dicas são testadas por si?
Sim. Quando se aplicam ao meu caso, faço questão de experimentar primeiro. Às vezes tenho prejuízo. Mas quando não resultam, não faço reportagem. As melhores e mais relevantes estão condensadas, atualizadas e organizadas por temas no livro “Contas-poupança”.

CINCO DICAS PARA POUPAR MAIS DE 1000 EUROS POR ANO

Reduzir o seguro de vida do crédito à habitação

O prémio do seguro de vida cresce a cada ano que passa, por aumentar o risco de morte. Peça uma simulação ao seu banco e fique a saber quanto vai pagar de seguro de vida até ao final do contrato, e solicite também um documento com o tipo de seguro de vida que tem e as respetivas coberturas e exclusões. Se mudar de seguradora, provavelmente vai conseguir melhor por metade do preço, mas certifique-se que não lhe aumentam o spread por causa disso.

Reduzir o IMI, pedindo a atualização dos dados

Alguns contribuintes não sabem que podem baixar o valor a pagar de IMI, bastando para isso pedir uma reavaliação do imóvel (ou imóveis) nas Finanças. Mas faço-o apenas se tiver a certeza que vai pagar menos. A Deco tem AQUI (www.paguemenosimi.pt) um simulador de IMI que o pode ajudar.

Renegociar os créditos (habitação, créditos pessoais e cartões de crédito)

Renegoceie cada um dos seus créditos, ou tente juntá-los em apenas um, a juros mais baixos. Fazê-lo pode fazer a diferença entre “entre declarar a insolvência ou retomar o equilíbrio das finanças lá de casa”

DR

Comprar nos hipermercados com vales e cupões

Acredite, funciona mesmo. “Faço imensas compras (quase) de graça. Por exemplo, comprei detergentes para a roupa até 2018 com 80% de desconto. Gastei 24 euros””«, conta o autor.

Baixar a fatura da luz

Aqui, há muitas opções que pode combinar para atingir o mesmo fim: mudar para o mercado liberalizado, poupar na potência contratada, mudar as lâmpadas para LED, usar bem a tarifa bi-horária, usar tomadas inteligentes e, em alguns casos, até mesmo painéis solares, se o investimento compensar.