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Fed: subida da taxa de juro "relativamente em breve"

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Vários membros do comité de política monetária do banco central norte-americano pronunciaram-se na reunião de setembro por uma subida da taxa de juro "em breve", segundo as atas divulgadas esta quarta-feira. Wall Street reagiu positivamente

Jorge Nascimento Rodrigues

O sentimento de vários banqueiros centrais norte-americanos aponta para uma decisão de subida da taxa de juro da Reserva Federal (Fed) “relativamente em breve”, segundo as atas da última reunião de 20 e 21 de setembro que foram divulgadas esta quarta-feira.

Os índices bolsistas em Wall Street mantiveram a tendência de subida e o índice do Nasdaq virou para terreno positivo, ainda que se mantenha perto da linha de água, após a divulgação das atas no site do banco central pelas 19 horas (hora de Portugal)..

A probabilidade de uma decisão de subida da taxa de juro na última reunião do ano, a 14 de dezembro, mantem-se perto de 70%, com 63,6% indicando o aumento do intervalo dos juros para 0,5% a 0,75%, segundo o indicador do CME Group para o mercado de futuros daquelas taxas.

A vontade de subir as taxas de juro baseia-se nos dados macroeconómicos positivos que a economia norte-americana revelou até agosto, antes da reunião, e na redução da volatilidade nos mercados financeiros locais e globais.

Alguns querem "mais provas convincentes"

No entanto, não houve, na reunião de setembro, maioria a favor da tomada de decisão. Verificou-se um reconhecimento que “um argumento favorável poderia ser avançado quer para uma subida nesta reunião [de setembro] quer para se esperar por informação adicional sobre o mercado de trabalho e a inflação”.

Até que nível deve a inflação subir (aumentou de 0,8% em julho para 1,1% em agosto, em termos homólogos) e até onde deve melhorar ainda mais o mercado laboral (praticamente em pleno emprego) antes de se tomar a decisão de subida, continua a dividir claramente os participantes e a provocar hesitação.

Apenas três membros votantes na reunião de setembro se pronunciaram por uma subida imediata. A reunião acabou por concordar em que era necessário “monitorizar estreitamente os indicadores de inflação e os desenvolvimentos económicos e financeiros globais”.

Alguns dos membros continuam a preferir esperar "por mais provas convincentes de que a inflação está a mover-se no sentido do objetivo de 2%". Outros acham que atrasar a decisão corrói a credibilidade da Fed e obriga-a, depois, a apertar a política monetária mais abruptamente - a fazer subidas mais agressivas - face a um sobreaquecimento económico e financeiro (bolhas), o que pode, então, provocar uma recessão.

No balanço final do debate, a maioria decidiu "por ora" aguardar por mais evidência dos indicadores, apesar da Fed ter, após a reunião, comuicado publicamente que a opção por uma subida da taxa de juro "se fortaleceu".

Riscos estão equilibrados

As atas revelam que “uma maioria substancial” dos membros do comité de política monetária da Fed (FOMC, Federal Open Market Committee, que integra 10 participantes, incluindo a presidente Janet Yellen) e da rede de presidentes dos Bancos da Reserva Federal “regionais” considera que os riscos estão “grosso modo equilibrados”. Alguns dos participantes avançaram inclusive que os riscos derivados da decisão do Reino Unido pelo Brexit (saída da União Europeia) “retrocederam” desde o impacto inicial no final de junho.

No entanto, “uns poucos” ainda acham que os riscos continuam a pesar, citando a possibilidade de um crescimento mais fraco do que o esperado nas economias estrangeiras, uma incerteza contínua associada ao Brexit, a proximidade das taxas de juro do limite inferior, perto de zero por cento, ou de "ventos de proa persistentes" com que o crescimento económico se vai confrontar pela frente.

Mas sobram preocupações

Mesmo na questão da inflação - cujas projeções do Fundo Monetário Internacional apontam para 2,3% em 2017, já acima da meta de médio prazo da Fed -, sublinhou-se na reunião que há fatores que podem restringir o processo de reflação em curso, como "a aparente baixa resposta da inflação à taxa de utilização da mão de obra", ou uma mudança nas expetativas de inflação, e a permanência de recursos na economia por utilizar.

Os participantes discutiram uma questão estrutural fundamental que tem marcado as economias desenvolvidas, incluindo os EUA - o declínio do crescimento da produtividade. Referiu-se, na reunião, que a política monetária pode estar "mal equipada" para lidar com o problema.

O contexto externo, também, não desapareceu das preocupações: "Alguns participantes continuam a considerar riscos importantes descendentes vindos de fora". E o reflexo interno não deixou de ser sublinhado: "Contactos em alguns distritos [do sistema de Bancos da Reserva Federal] sugerem que as empresas estão a seguir uma abordagem cautelosa no investimento em capital mesmo fora do sector energético (...) em virtude de uma procura global lenta, horizontes de investimento mais curtos para os negócios, e incerteza sobre as perspetivas de política governamental e de regulação".

  • A pouco mais de meia hora da divulgação das atas da reunião de setembro dos banqueiros centrais norte-americanos, os dois principais índices de Nova Iorque mantêm-se em terreno positivo. Na Europa, a derrocada das ações da Ericsson em Estocolmo marcou esta quarta-feira as perdas nas bolsas europeias

  • Os mercados financeiros aguardam esta quarta-feira a divulgação ao final da tarde das atas da última reunião do banco central norte-americano em setembro. No mercado de futuros, a probabilidade de um aumento das taxas de juro em dezembro nos Estados Unidos elevou-se para perto de 70%