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Fundo Vallis. Banca reconhece 137 milhões de perdas

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O fundo Vallis que absorveu cinco construtoras em dificuldades vale agora metade do capiital inicial

Os bancos subscritores do fundo Vallis Constrution, através da transformação em unidades de participação dos créditos sobre as construtoras absorvidas, já reconheceram 137 milhões de euros de perdas.

As imparidades distribuem-se pelo BCP (35,4 milhões), Novo Banco ( 22 milhões), Caixa Geral de Depósitos (34 milhões) e Montepio (13 milhões). E o Banif já registara 33 milhões, antes de transferir para a Oitante, a participação avaliada na altura em 76 milhões de euros.

O BCP é o maior subscritor do fundo (45%) pela elevada exposição à construtora Monte Adriano, uma das cinco englobadas no fundo. Seguem-se a Oitante e Novo Banco, com 20% cada.

O cálculo das perdas peca por defeito. É que só os valores da Caixa e Montepio estão atualizados, consagrando as perdas potenciais registas no relatório do 1º semestre de 2016. Nos dois casos traduzem um severo agravamento e cortam para menos de metade o investimento inicial.

Já no BCP e Novo Banco as imparidades referem-se ao exercício de 2015 - os relatórios semestrais não registam informação sobre este tipo de participações. A atualização das imparidades fará, seguramente, a fatura subir,em 2016. Contactados pelo Expresso, BCP e Novo Banco ignoraram olimpicamente o pedido para refrescarem a informação sobre o fundo Vallis Construction.

Valor reduzido a metade

O fundo declara ativos sob gestão de 540 milhões de euros. mas este número traduz o capital inicial, sem incorporar a desvalorização registada desde o lançamento, em 2012. A operação de consolidação conduziu à fundação do grupo Elevo, absorvendo duas das principais construtoras, a Edifer e MonteAdriano, e ainda a Eusébios, Hagen e Ramos Catarino, de média dimensão e todas elas com processos de proteção de credores a correrem no circuito judicial.

Em cada momento "o fundo atualiza o valor dos ativos, adotando referências do mercado, como se de uma empresa cotada em bolsa se tratasse,", diz Pedro Gonçalves, presidente executivo do Vallis Construction. Mas, só os subscritores podem aceder a essa informação. Em cada exercício, as contas auditadas do fundo "são partilhadas com os bancos que depois evidenciam nos balanços, segundos os seus critérios, a valorização da sua participação", acrescenta Pedro Gonçalves.

CGD e Montepio atualizam perdas

Analisemos a evolução das imparidades atualizadas na CGD e Montepio. No fim de 2015, o banco público registava perdas potenciais de 10,2 milhões, reduzindo para 60 milhões o valor da sua participação. Seis meses depois, o valor dispara para 34 milhões, superando o valor líquido da participação registada no balanço - 30 milhões.

No banco mutalista, as imparidades evoluíram de 6,1 milhões (fim de 2015) para 13 milhões (junho de 2016). O efeito imediato é que o valor da participação desceu de 16,4 milhões para 8 milhões.

Se BCP e Novo Banco aplicarem à sua exposição ao Vallis os mesmos critérios, as imparidades em 2016 vão, pelo menos, duplicar. E no fim de 2016, o investimento inicial de 540 milhões estará a reduzido a menos de metade. Em 2014, a banca já reconhecera perdas ligeiras face aos ativos cedidos ao Vallis Construction.

O BCP cedera créditos de 264 milhões, mas o valor líquido no fim de 2015 estava nos 228 milhões. No Novo Banco, o abate dos 22 milhões levaram o valor líquido a reduzir-se de 103 para 81 milhões.

Elevo com novos mercados

O grupo Elevo registou uma produção em 2015 de 460 milhões de euros (3ºlugar no ranking nacional) distribuída por 11 mercados e declara uma carteira de 800 milhões. Conta, além de concessões rodoviárias, com 1200 ativos imobiliários, avaliados a preços de mercado em 150 milhões.

Entre as adjudicações mais recentes, registam-se empreitadas na Bolívia, o novo mercado da América Latina - um hospital de 200 camas com um orçamento de 60 milhões, sucede-se à estreia numa obra rodoviária.

Marrocos é outro mercado em modo de crescimento, com a adjudicação da estrutura de betão armado de dois hotéis de 20 pisos da cadeia Sana, em Casablanca. Bolívia, Marrocos e outros mercados sob escrutínio em África vão permitir atenuar, acredita o grupo de construção, a quebra registada em Angola, apesar de já em 2016 ter conquistado novas empreitadas de terraplanagens e pavimentações.