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"Ação, por favor", pede Christine Lagarde aos membros do FMI

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"O que se exige, agora, é ação", disse esta quinta-feira a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional na conferência de imprensa de anúncio da abertura da assembleia anual amanhã em Washington. Apelo direto à Alemanha

Jorge Nascimento Rodrigues

"A minha mensagem para os membros do Fundo Monetário Internacional é ação, por favor", disse esta quinta-feira Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo, na conferência de imprensa de anúncio da abertura amanhã da assembleia anual em Washington, em conjunto com o Banco Mundial.

Lagarde considera que o que falta, agora, é agir. Na reunião da primavera, o Fundo Monetário Internacional (FMI) lançou a proposta de uma trilogia na ação, uma sinergia entre as polticas monetária, orçamental e de reformas estruturais, Desde essa altura, multiplicaram-se os apelos a que os governos não sobrecarreguem os bancos centrais no impulso à retoma, e que desempenhem o seu papel no plano orçamental e das reformas em prol da produtividade.

"Explorando as sinergias entre as três políticas podemos criar mais espaço de modo a ajudar as economias e a resistir às dinâmicas políticas a que me tenho referido", sublinhou a diretora-geral do Fundo.

Globalização inclusiva precisa-se

O 'World Economic Outlook' (WEO) classificou tais dinâmicas de populismo de "forças políticas centrífugas" e de atração por uma retórica de protecionismo no plano internacional. O documento do FMI simulou inclusive um cenário pessimista, em que esses riscos se materializam, e avisa que os principais penalizados vão ser a zona euro, o Reino Unido e as economias emergentes.

Lagarde recordou que o crescimento económico continua a ser "muito baixo, por muito tempo e beneficiando muito poucos" e que a dinâmica económica mundial está a mover-se num quadro que ela designa por "novo medíocre".

O FMI não reviu em baixa a sua previsão de crescimento para 2016 e 2017, que havia avançado em julho, e reafirmou uma variação de 3,1% para este ano e de 3,4% para o próximo ano. A médio prazo não projeta mais de 3,7%, um máximo no quinquénio que fica abaixo da média de 4,2% na década anterior à crise financeira.

O apelo a uma "globalização inclusiva" nas ações multilaterais e dentro de cada país passou, também, a ser uma das tónicas do discurso da diretora-geral e dos documentos do FMI.

Apelo direto à Alemanha, Canadá e Coreia do Sul

No apelo à ação, a diretora-geral dirige-se diretamente a alguns países que têm excedentes externos elevados e excedentes orçamentais. “Quando a procura falha e a política monetária está sobrecarregada, a política orçamental pode dar o passo seguinte”, refere, para acrescentar: “Achamos que alguns países têm espaço orçamental. Portanto, se é assim, devem usá-lo. Certamente que incluímos nesta categoria países como o Canadá, a Alemanha, a Coreia (do Sul)”.

Recorde-se que, esta quinta-feira, a chanceler alemã Angela Merkel anunciou em Berlim alguma flexibilidade orçamental avançando com um pacote de corte de impostos de 6 mil milhões de euros para os orçamentos de 2017 e 2018. Lagarde considerou que esse passo deveria ser parte de um pacote mais amplo, mencionando a importância de investimento em infraestruturas. Recentemente, o ministro das Finanças Wolfgang Schäuble anunciou que poderia aumentar a despesa pública em 3,7% no orçamento para 2017.

A Alemanha regista excedentes orçamentais desde 2014 e o seu peso no PIB vai subir daqui a 2021.O país regista, também, excedentes externos dos mais elevados em economias desenvolvidas e deverá manter esse padrão mesmo em 2021, com uma projeção de mais de 7% do PIB, segundo o WEO. Desde a crise financeira, o excedente subiu de 5,6% em 2008 para 8,4% em 2015, e as previsões apontam para 8,6% em 2016.

Recorde-se que, segundo as próprias regras da Comissão Europeia relativas aos desequilíbrios externos, são sinais de alarme tanto um défice externo superior a 4% do PIB como um excedente externo persistente acima de 6%. Ambas as situações requerem procedimentos por parte dos países membros e a sua não correção implica inclusive sanções.

Para Christine Lagarde, nos casos em que não haja folga orçamental, “os ministros das Finanças podem decidir realocar a despesa dentro do envelope orçamental para áreas que impulsionem a produtividade; por exemplo, apoiando a investigação e o desenvolvimento, e financiando infraestruturas numa altura em que os custos de financiamento estão tão baixos”. Outro aspeto é a “cooperação internacional”. O WEO falava mesmo de “ação multilateral”.