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Populismo e protecionismo podem custar à Europa 6% do PIB daqui a cinco anos

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Segundo um cenário pessimista divulgado esta quarta-feira pelo FMI, o PIB mundial reduzir-se-ia em 3,5% em 2021. Uma recessão maior do que a de 2009 afetaria a área do euro

Jorge Nascimento Rodrigues

Um cenário de ascensão do populismo em política interna e de protecionismo no comércio internacional estará associado a uma situação de estagnação da economia mundial daqui a cinco anos, segundo um cenário pessimista testado pela equipa do Global Financial Stability Report do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado esta quarta-feira.

O efeito agregado daqueles dois movimentos políticos, em particular em economias desenvolvidas, provocará uma perda de 3,5% no produto mundial em 2021, com particular incidência numa redução de quase 6% na Zona Euro e de 5% no Reino Unido. Um impacto dessa dimensão deixa a economia mundial praticamente em estagnação daqui a cinco anos e a Zona Euro em profunda recessão, superior à de 2009.

Com um quadro de desinflação e mesmo de deflação, a política monetária teria de avançar para um corte médio de 2,3 pontos percentuais nas taxas diretoras de juros dos bancos centrais até 2019. Recorde-se que aquelas taxas diretoras estão hoje em ou perto de 0% ou mesmo em terreno negativo em alguns casos nas economias desenvolvidas.

Subida do prémio de risco nos periféricos

O impacto negativo no prémio a pagar no financiamento dos bancos implicaria o aumento do spread em 100 pontos base (o equivalente a 1 ponto percentual) nos periféricos do euro com mais elevados prémios de risco e no Reino Unido. Um efeito que é o dobro do sofrido pelo setor bancário nas economias do euro com prémios de risco mais baixos e pelos bancos dos Estados Unidos.

O choque mais dramático seria nos prémios de risco da dívida soberana de longo prazo dos periféricos do euro com prémios mais elevados, que subiriam em média 100 pontos base (1 ponto percentual), duas vezes mais do que o impacto na dívida das economias emergentes mais expostas à banca dos países desenvolvidos.

A fuga para ativos de refúgio levaria a uma redução em 25 pontos base (em 25 décimas) dos spreads da dívida soberana de longo prazo das economias com mais baixos prémios de risco na zona euro, Reino Unido e EUA. No caso da Europa empurraria a dívida de longo prazo de várias economias do centro, dos nórdicos e da Suíça para terreno ainda mais negativo.

O FMI considera, este ano, que combater politicamente o populismo e a tentação protecionista e afastar um cenário de estagnação secular à escala mundial, é fundamental. Para tal é necessária uma resposta mais potente dos governos e uma combinação de políticas que não sobrecarregue a política monetária.

  • O FMI não reviu em baixa as previsões de crescimento do PIB mundial divulgadas em julho. Melhorou projeções para a zona euro, que, contudo, vai continuar a desacelerar, mas cortou no crescimento do comércio internacional, dos EUA e da África subsaariana para este ano e o próximo