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Economia mundial vai continuar a crescer acima de 3%

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O FMI não reviu em baixa as previsões de crescimento do PIB mundial divulgadas em julho. Melhorou projeções para a zona euro, que, contudo, vai continuar a desacelerar, mas cortou no crescimento do comércio internacional, dos EUA e da África subsaariana para este ano e o próximo

Jorge Nascimento Rodrigues

O crescimento mundial vai manter-se acima de 3% em 2016 e 2017 e o risco de a economia global cair para taxas de aumento do produto inferiores a 3% foi afastado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nas previsões que publica esta terça-feira no ‘World Economic Outlook’ (WEO).

O FMI revela-se menos pessimista do que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que, em setembro, cortou a previsão de crescimento mundial para 2,9% (abaixo do limiar vermelho dos 3%) este ano e 3,2% no próximo.

A organização de Washington, por seu lado, decidiu não rever em baixa as previsões que havia publicado em julho, e manteve uma desaceleração da economia mundial este ano para 3,1% e uma subida para 3,4% no próximo ano, um ritmo já superior ao de 2015.

O WEO mantém uma perspetiva de crescimento mundial anual de médio prazo em 3,8%, acima da média de 3,2% entre 2008 e 2015, que inclui uma muito ligeira recessão em 2009 (quebra de 0,1%).

O mundo não regressará, pelo menos até 2021, à dinâmica de crescimento da década anterior à crise financeira, então com uma média de crescimento de 4,2%.

Zona Euro desacelera em 2017

As previsões, agora divulgadas pelo WEO, melhoraram inclusive o quadro macroeconómico da zona euro, subindo em uma décima por ano o crescimento para 2016 e 2017.

Mas, mesmo com esta revisão em alta, a economia da moeda única europeia vai desacelerar de 1,7% este ano para 1,5% no próximo ano. E as projeções, até 2021, apontam para uma economia do euro "presa" em um ritmo de crescimento de 1,5%, face a 2,4% na década anterior à crise financeira.

Alemanha e Espanha vão crescer menos para o ano. E persistem problemas sérios no sector bancário da zona euro, apontando o FMI para dois países mais vulneráveis, Itália e Portugal.

No entanto, a situação é desigual na zona euro. O líder de crescimento anual nas maiores economias do euro vai continuar a ser a Espanha, apesar de estar em desaceleração do ritmo de 3,2% atingido em 2015. A subida do PIB espanhol foi revista significativamente em alta pelo FMI para 2016, de 2,6% na previsão de julho para 3,1% agora. Em 2017, Espanha continuará a liderar os grandes do euro, com um crescimento de 2,2%.

Inflação continua abaixo da meta

O Fundo reviu, também, em alta a inflação anual nas economias desenvolvidas, que poderá descolar para 1,7% em 2017, mesmo assim ficando abaixo da meta de política monetária dos bancos centrais do mundo desenvolvido (que se situa em 2%).

A previsão do WEO aponta para uma reversão do processo global de desinflação (descida da taxa de inflação) nas economias desenvolvidas, com uma subida da inflação de 0,3% em 2015 para 0,8% em 2016.

Na Zona Euro, a inflação deverá ficar em 1% em 2016 e 2017 e a projeção para final do período quinqenal das previsões, em 2021, não aponta para mais de 1,5%.

No Japão, que revela a pior situação, a inflação deverá baixar para 0,4% em 2017 e não ultrapassará 0,9% em 2021, se a atual política do Banco do Japão não alterar significativamente o clima de baixa inflação.

O FMI estima que o preço médio anual do barril de petróleo subirá 18% em 2017, situando-se acima de 50 dólares. O Fundo considera um cabaz que abrange as variedades do Brent, do Dubai e dos EUA. O preço da energia tem um peso significativo no índice de preços no consumidor.

Comércio global com crescimento mais baixo desde 2009

A pior noticia concentra-se no ritmo do crescimento do comércio internacional, que deverá desacelerar de 2,6% em 2015 para 2,3% em 2016, o mais baixo desde 2009.

No entanto, o FMI não é tão pessimista como a Organização Mundial do Comércio (OMC), que, na semana passada, cortou 1,1 pontos percentuais na sua previsão para 2016, apontando, agora, para um crescimento de 1,7%.

O FMI cortou muito menos do que a OMC, apenas quatro décimas, na sua previsão para 2016. A revisão em baixa agrava o rácio da relação entre o crescimento do comércio global e o do produto mundial. Em 2015, esse rácio caiu para 0,8 e este ano deverá baixar ainda mais, para 0,7. Ou seja, o comércio internacional regista uma dinâmica inferior ao produto. Sintoma de que têm atuado fatores negativos, como a desaceleração no investimento global, o regresso de algum protecionismo e o recuo nas cadelas globais de valor.

O comércio global deverá, no entanto, animar-se em 2017, com uma projeção de crescimento de 3,8%. Mas ficará muito aquém da dinâmica anterior à crise financeira. O comércio global cresceu a um ritmo médio anual de 6,8% entre 1998 e 2007 e deverá registar uma média anual de 2,9% entre 2008 e 2017, um período que inclui uma quebra profunda de 10,5% em 2009 (o ano da recessão mundial). Se se excluir a quebra de 2009, o comércio global poderá crescer anualmente em média 4,8% entre 2010 e 2017. Mesmo assim, abaixo da dinâmica da década anterior à crise financeira.

Redução do ritmo em Angola, EUA e Reino Unido

Ainda nas revisões em baixa significativas, o FMI cortou no crescimento dos Estados Unidos, do México e da África subsaariana para este ano e o próximo. Neste último caso, Angola deverá registar estagnação este ano e crescer 1,5% em 2017. A perspetiva de médio prazo na economia angolana é para uma taxa de crescimento de 3,5%, abaixo da média anual de 5,4% entre 2008 e 2015 e distante do ritmo anual médio de 10,3% na década anterior à crise financeira.

O Fundo prevê que haja um abrandamento significativo do crescimento da economia do Reino Unido no próximo ano, depois de iniciado o processo de negociação da saída da União Europeia (Brexit).

Tendências positivas vão compensar riscos

O Fundo pressupõe que os fatores negativos crescentes - impacto do Brexit, subida da retórica populista "protecionista", crescimento político das "forças centrífugas" contrárias às reformas económicas, desaceleração do crescimento da produtividade, aumento da desigualdade - vão ser compensados pelas tendências positivas.

O WEO pressupõe nas suas projeções para 2017 um conjunto de factores animadores: a estabilização do abrandamento na China, a cautela da Reserva Federal norte-americana em relação a novos aumentos das taxas de juro, uma redução nas tensões geopolíticas, uma melhoria geral nas economias emergentes (Brasil e Rússia deverão sair da recessão em 2017) e em desenvolvimento, e um esforço "multilateral" nas políticas orçamental, económica (reformas estruturais) e monetária (que deverá continuar 'acomodativa' por tempo mais longo do que o antevisto inicialmente) que minimize os riscos.

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    Fundo manteve previsões de crescimento em 1% e 1,1% em 2016 e 2017 e não espera acelerações durante os próximos anos. Um ritmo que não chegar para atingir o andamento dos países da moeda única liderado, este ano, por economias como Espanha, Irlanda e Eslováquia