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Sabia que pode poupar milhares de euros se mudar de banco?

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Luís Barra

A guerra dos spreads no crédito à habitação voltou. Veja que spread tem e faça algumas contas. Há quem lhe trate de tudo e, melhor ainda, sem que você tenha de pagar um cêntimo

Pedro Andersson/Sic

Maria Meireles comprou casa em pleno pico da crise. Teve de se sujeitar a um spread de 2,75 %, que passados 3 anos já sabia que ia subir para quase 5 %. E subiu. Na altura em que assinou o contrato com o banco, acreditava, na sua boa vontade, que como era cliente do banco há décadas, eles aceitariam renegociar o spread inicial, de modo a baixá-lo ou, pelo menos, a mantê-lo. Não aceitaram e, de repente, ficou com uma mensalidade do crédito à habitação de quase 700 euros, mais o seguro de vida, mais o seguro multirriscos. Incomportável.

Mas não desistiu. Neste momento tem um spread de 1,75 %. Baixou a mensalidade em 120 euros por mês e conseguiu baixar também o seguro de vida. Feitas as contas por alto, está a poupar 1.600 euros por ano em relação ao que estava a pagar no início do contrato, ainda antes de ter aumentado o spread. Como conseguiu?

Se tem neste momento um spread superior a 2 %, está automaticamente habilitado a poupar centenas - ou até milhares - de euros por ano. É que há bancos que já regressaram à guerra de spreads (lembra-se dos 0,3 % que alguns faziam em 2007?) e estão a oferecer 1,75 % ou menos. Isto quer dizer que basta transferir o seu crédito à habitação para um destes bancos para ficar imediatamente a pagar menos sem mudar de casa nem ter grandes trabalhos. Quanto maior for o seu spread atual, maior será a redução na sua mensalidade.

Mas quanto é que terá de pagar para transferir o crédito? Pois. Essa é a grande notícia que quero partilhar consigo: nada!

Há bancos que estão a suportar todas as despesas da transferência, incluindo a penalidade por liquidação antecipada no banco antigo que, normalmente, seria o cliente a pagar. É uma despesa que pode ir dos 500 aos 2 mil euros e que o banco paga por si. Oferece também todas as despesas com a nova escritura e as despesas com o dossier do empréstimo.

Se já está a sorrir, espere um pouco. Se for ao banco sozinho já tratar disto, o que provavelmente vai acontecer é que vão dar-lhe um descontozinho e pode até achar que afinal o que eu lhe disse não é tão bom assim.

O “truque” é fazer isto através de empresas que pegam em pacotes de clientes e fazem a negociação por nós. Uma coisa é chegar ao banco novo e propor um crédito de 100 mil euros, outra é chegar lá com 4 ou 5 milhões de euros. Conseguem os melhores spreads e as melhores condições.

Sim, mas quanto é que temos de pagar a essas empresas? Quer mais uma boa notícia? Nada!

É que eles recebem uma comissão do banco - e não dos clientes - que transferem o crédito. Todos ganham: nós, a empresa que transfere o crédito e o banco, que recebe dinheiro sem esforço nenhum e com a papelada toda preenchida.

E o banco antigo não perde? Claro! Mas então que acompanhem os spreads da concorrência. Há casos de pessoas que, perante a ameaça de saída, ficaram com melhores condições no mesmo banco. Mas tem de avaliar.

Os únicos custos para si são gastar um dia para fazer a nova escritura, mudar a domiciliação do ordenado, passar a conta da luz e do gás para o novo NIB e eventualmente ter um novo cartão de crédito. Ou seja, o mesmo que provavelmente tem no seu banco atual.

Aproveite também a “onda” para baixar o seu seguro de vida e o multirriscos. Ganha 3 vezes. Olhe que não há dicas de poupança assim todos os dias. A Maria Meireles vai poupar, nos próximos 36 anos, 57 mil euros.