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“Damos tiros nos pés e não planeamos”

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Carlos Melo Ribeiro, Presidente Executivo da Siemens Portugal (cessante)

Alberto Frias

Após vinte e um anos à frente dos destinos da Siemens Portugal, Carlos Melo Ribeiro passou nesta sexta-feira (30 de setembro) o testemunho a Pedro Pires de Miranda. Em jeito de balanço, orgulha-se do contributo que a multinacional deu à economia portuguesa nestas duas décadas. “Contribuímos com €21 mil milhões para o PIB, com €7,5 mil milhões de exportações e investimos mil milhões de euros”, destaca Melo Ribeiro que agora se vai dedicar a projetos privados. Critica a falta de planeamento dos políticos portugueses e de estarem, atualmente, a assustar investidores. “Temos a habilidade de dar tiros nos pés quando está tudo a correr bem”, observa.


O que mudou em Portugal nestes vinte e um anos?

O país mudou muito, modernizou-se, desenvolveu-se ao nível das tecnologias de informação, as estradas estão uma maravilha, mas não houve critério. Criamos riqueza, como qualquer outro país, mas depois temos o dom de a destruir de vez em quando. O último exemplo disso é óbvio: de repente vieram dois milhões de franceses e um milhão e meio de alemães porque a Europa descobre que Portugal é um dos últimos paraísos e vêm cá comprar casas. Ao mesmo tempo, há quem venha de fora da Europa, que ficam com visto gold se comprarem casas de 500 mil euros. Quando o sector imobiliário começa a dar boas perspetivas, vem um anúncio de um imposto sobre o património, que assusta logo. Eu agora estava a pensar em comprar a minha segunda casa e já me retraí. Temos esta habilidade de dar tiros nos pés sempre que alguma coisa está a correr bem.

Disse há um ano e meio numa entrevista à “Exame”: “É tão irritante que este país tenha tudo para se safar sozinho mas depois de vez em quando destrói tudo.” Estamos numa fase de destruir tudo?

Não, estamos numa fase perigosa. Havia um discurso contra as multinacionais, que não traziam nada de valor ao país. O que é que trouxe a Autoeuropa ou a Siemens? Trouxeram as regras, as certificações de qualidade. Desde o início que percebi que a tendência portuguesa é um grande desenrasca, uma grande iniciativa e abertura, mas com uma grande falta de disciplina. Então o que se fez foi introduzir em Portugal todas as certificações que havia no mundo. Até há muito pouco tempo o que funcionava eram os subsídios, os esquemas, que deu nas asneiras que deu.

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