Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Biorrefinaria da Galp 6 vezes mais pequena do que projeto inicial

  • 333

Refinaria da Galp, em Sines

Nuno Botelho

Petrolífera recupera projeto para produzir novo gasóleo vegetal, numa versão menor e sem participação brasileira

A Galp está a transformar parte da sua refinaria de Sines numa nova unidade de produção do designado “gasóleo vegetal” (ou HVO, que é um óleo vegetal transformado com recurso ao hidrogénio), que deve estar operacional em 2017. Este projeto industrial retoma a ambiciosa “biorrefinaria” pensada em associação com a Petrobras, na qual a Galp previa produzir cerca de 250 mil toneladas anuais do HVO para incorporar no biodiesel. A nova biorrefinaria será seis vezes mais pequena e só prevê produzir 40 mil toneladas anuais de HVO. A Galp não divulga o montante investido no projeto.

Este investimento foi viabilizado pela necessidade de Portugal aumentar a percentagem de biocombustíveis destinada a incorporar a curto prazo no diesel — que eventualmente pode passar de 7,5% para 9%. Desta forma é criada a oportunidade para produzir em Portugal o designado diesel vegetal, ou HVO, porque o biodiesel de primeira geração incorporado no gasóleo rodoviário (o FAME, ou Fatty Acid Methyl Esther) não pode ultrapassar 7% de incorporação, atendendo a que os produtores de automóveis não aconselham uma mistura no gasóleo em proporções superiores.

Para 2017, a Galp espera que seja adotada a meta de 9% de incorporação de energia renovável nos combustíveis rodoviários (gasolina mais gasóleo), ou seja, admite “um aumento de 20% na incorporação de biocombustíveis em relação a 2016”.

Com o novo investimento, a Galp diz que contribuirá para diminuir as importações de HVO, assegurando com fabrico nacional 35% a 40% das necessidades do mercado português.

A Galp refere que não especifica o investimento no projeto, mas esclarece que implica a “conversão de uma unidade de dessulfuração de gasóleo para a produção do HVO”. Este HVO é produzido com recurso a óleos vegetais virgens ou usados, que são convertidos através de reações químicas com hidrogénio, obtendo um “gasóleo renovável com as mesmas características que o gasóleo mineral”, refere a Galp.

A empresa diz que “poderão ocorrer novos investimentos, quando for definido o quadro legislativo sobre as metas a aplicar no horizonte pós-2020, o que não se verifica atualmente”. De janeiro a julho, o mercado português aumentou em 0,35% o consumo homólogo de gasóleo, que atingiu 1.365.498 metros cúbicos, enquanto o consumo homólogo de gasolina caiu 2,73%, relativo a 762.924 metros cúbicos.