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Moeda chinesa entra no clube dos grandes

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A partir deste sábado, o renminbi passou a integrar o cabaz de divisas que suportam a unidade de conta do Fundo Monetário Internacional. Euro é o que mais perde

Jorge Nascimento Rodrigues

O renminbi passou este sábado a integrar a unidade de conta do Fundo Monetário Internacional (FMI) designada por direitos de saque especial (Special Drawing Rights, na designação em inglês, acrónimo SDR), uma divisa de reserva criada em 1969 para servir de recurso em crises financeiras.

O anúncio oficial foi feito ontem em Washington, depois da reunião da direção executiva da organização que reúne a sua assembleia anual de 7 a 9 de outubro.

A moeda chinesa entra assim no clube das principais divisas mundiais, ao lado do dólar norte-americano, do euro, do iene japonês e da libra inglesa.

O FMI divulgou os pesos respetivos de cada uma das cinco divisas no cabaz, com a nova distribuição do seguinte modo: 41,73% para o dólar, 30,93% para o euro, 10,92% para o renminbi, 8,33% para o iene e 8,09% para a libra. A moeda chinesa entra diretamente para o terceiro lugar.

É a primeira mexida no cabaz desde 1999 quando o euro substituiu o marco alemão e o francvo francês.

Perda significativa de peso do euro

Este reajustamento do cabaz provocou principalmente a perda de peso do euro, que recuou de 37,4% para menos de 31%, quase 6,5 pontos percentuais. A libra perdeu quase 3 pontos percentuais de peso e o iene pouco mais de 1 ponto percentual. O dólar foi o menos afetado com uma descida de menos de duas décimas de ponto percentual.

A inclusão culmina a ascensão da China a segunda maior economia do mundo -em PIB nominal em dólares - e a sua ascensão como protagonista importante no mercado financeiro global.

Pequim autorizou o uso da sua moeda fora da China em 2003 quando permitiu que os bancos da região administrativa especial de Hong Kong realizassem algumas operações em yuan. Em 2009, estendeu a prerrogativa a empresas internacionais e a alguns empresários para negociarem em yuan e um ano mais tarde a usarem a moeda chinesa em investimentos.

Em novembro de 2015, Christine Lagarde, a diretora-geral do FMI, declarou que o renminbi satisfazia os principais critérios para inclusão no cabaz de SDR. Pequim procedeu a reformas do sistema monetário, dos câmbios e do sistema financeiro, e deu passos significativos na liberalização e na infraestrutura dos seus mercados financeiros. O Fundo tomou a decisão em dezembro do ano passado para entrar em vigor, agora, a 1 de outubro.