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Semana agitada nas bolsas com ganhos em Nova Iorque e perdas na Europa

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As bolsas de Buenos Aires, Estocolmo, Lisboa, Nova Iorque e Oslo registaram ganhos semanais. Na Europa, Bruxelas, Frankfurt e Zurique perderam mais de 1% durante uma semana marcada pelo stresse do Deutsche Bank, que abrandou depois de noticiado eventual acordo com o Departamento de Justiça dos EUA para redução da multa

Jorge Nascimento Rodrigues

A semana ficou marcada nas bolsas pelo stresse em torno do Deutsche Bank (DB), o maior banco alemão considerado o de mais elevado risco sistémico mundial pelo Fundo Monetário Internacional. As bolsas mundiais perderam 0,38% em termos semanais, segundo o índice global MSCI (MSCI AC World).

O sentimento de pânico financeiro abrandaria na Europa e em Nova Iorque com a divulgação na tarde de sexta-feira pela Agence France Presse da notícia que o banco alemão estaria em vias de obter um acordo com o Departamento de Justiça norte-americano para uma redução para menos de metade da multa que este lhe fixou.

A desdramatização da situação do banco alemão na tarde de sexta-feira permitiu às bolsas de Buenos Aires, Estocolmo, Lisboa, Nova Iorque e Oslo registarem ganhos semanais.

O índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, subiu 0,46% durante a semana e acabou por ficar entre as sete subidas da semana, se, também, incluirmos as bolsas mais pequenas à escala mundial.

Na Ásia, o índice ASX 200, de Sydney, fechou ligeiramente acima da linha de água, tal como o índice iBovespa em São Paulo, na América Latina.

As maiores subidas semanais registaram-se no índice Merval em Buenos Aires, com ganhos de 1,42%, e no índice geral da bolsa de Oslo com um avanço de 0,94%.

Ásia, Europa e Emergentes no vermelho

Apesar da redução do pânico financeiro na sexta-feira, os índices de volatilidade subiram, em termos semanais, em 17,5% no caso do índice europeu Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro) e em 6,2% para o S&P 500 de Nova Iorque.

Em termos geográficos, os piores desempenhos semanais registaram-se na Ásia Pacífico (quebra de 1,6% no índice MSCI respetivo) e na Europa (recuo de 0,43% no índice MSCI respetivo) . Nos mercados emergentes, a semana também foi negativa, com um recuo de 1,53% no índice MSCI respetivo. Fora do vermelho, estiveram Nova Iorque (ganho de 0,15% do índice MSCI para os EUA) e os mercados fronteira (avanço de 1,12% no índice MSCI respetivo).

A semana saldou-se por perdas acumuladas acima de 1,5% em Riade, Istambul, Mumbai, Tóquio, Moscovo, Hong Kong e Zurique. Na zona euro, o índice Dax de Frankfurt perdeu 1,1% em termos semanais e liderou as descidas nas principais praças da moeda única.

O sector bancário europeu ressentiu-se seriamente da crise do DB. O índice Eurostoxx 600 para o sector perdeu 1% em termos semanais.

BCE, Merkel e Washington não deixarão cair DB

Recorde-se que, no pico do pânico desta semana, alguns analistas admitiam o cenário de um evento do tipo Lehman Brothers (em setembro de 2008 nos EUA) agora com o DB como protagonista central. Por diversas vezes, correu a especulação nos media alemães que o governo federal da chanceler Angela Merkel teria em preparação um plano de resgate.

Algumas comparações, no calor do pânico, entre o LB e o DB eram exageradas, sublinha-se na edição do 'Credit Bubble Bulletin'. O banco alemão tem uma base de clientes mais diversificada e uma liquidez equivalendo a 12% dos ativos em final de junho – o rácio no caso do LH antes da falência era de 7,5%. O DB pode recorrer a diversas linhas de financiamento no Banco Central Europeu e no Bundesbank, o banco central alemão. O custo de segurar a dívida do DB a 5 anos contra um risco de incumprimento subiu para 255 pontos base na quinta-feira, uma subida de 21 pontos base em relação ao dia anterior, mas ainda ficou abaixo do preço de 264,34 na crise global de 11 de fevereiro deste ano, quando o risco de Grexit atingiu um pico.

A convicção entre os investidores otimistas é que o BCE, o governo federal de Angela Merkel e os próprios norte-americanos não deixam cair o banco de maior risco sistémico mundial. No entanto, os pessimistas sublinham o começo da fuga de fundos de alto risco, ainda que sendo uma pequena fatia. É o início do êxodo, vaticinam.

Alívio do stresse na sexta-feira

A redução do stresse em torno do DB gerou esta sexta-feira uma subida de 7,6% das ações do banco em Frankfurt e de 14% no New York Stock Exchange (NYSE). O banco alemão acabaria por fechar com ganhos semanais de 2,54% na bolsa alemã e de 2,7% no NYSE. O valor das ações do DB em Frankfurt chegou a cair para um mínimo histórico de 9,9 euros no início da sessão de sexta-feira. A barreira dos 10 euros é considerada um limiar crítico para o banco.

As bolsas em Nova Iorque fecharam esta sexta-feira no verde, com ganhos de 0,91% para o Dow Jones 30, 0,75% para o S&P 500 e 0,81% para o Nasdaq. A Europa encerrou a última sessão de setembro em terreno ‘misto’, com o índice Dax a registar uma subida de 1% em Frankfurt, e o SMI a descer em Zurique, o FTSE 100 a recuar em Londres e o Ibex 35 a cair em Madrid, as três maiores quedas na Europa.

O índice PSI 20, em Lisboa, perdeu esta sexta-feira 0,18%, com o Montepio a descer 1,5%, mas o BCP subiu 0,65% e o BPI ficou ligeiramente acima da linha de água. A noticia que o grupo financeiro chinês Fosun irá entrar no capital do BCP alimentou uma subida semanal de 5,5% das ações deste banco, a mais elevada no PSI 20.

Duas boas notícias e uma má

Os mercados financeiros foram tocados por um otimismo moderado em relação ao acordo obtido, esta semana, em Argel para o restabelecimento de um teto de produção mensal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Os pormenores do acordo só serão discutidos na cimeira do cartel a 30 de novembro.

O otimismo alimentou uma subida de 9%, em termos semanais, do preço do barril de petróleo de Brent. O preço desta variedade europeia de referência internacional fechou a semana acima de 50 dólares, o que já não acontecia desde 19 de agosto. A subida do preço do Brent foi a segunda maior em termos semanais nas principais matérias-primas.

Esta sexta-feira ficou a conhecer-se a estimativa de inflação homóloga na zona euro para setembro que subiu para 0,4%, o dobro da inflação registada em julho e agosto. O processo de aumento da inflação desde junho, ainda que em níveis baixos, parece consolidar-se, o que é uma boa notícia para o Banco Central Europeu.

Mas esta sexta-feira em Tóquio não houve razão para otimismo. A inflação homóloga em agosto caiu ainda mais em terreno negativo, com a estimativa a apontar para -0,5%. O Japão está em deflação (quebra de preços) desde março. Durante três meses, em maio, junho e julho, registou uma inflação de -0,4%.