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Crise do Deutsche Bank provoca perdas na Ásia. Europa abre no vermelho

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Sean Gallup / Getty Images

As bolsas da Ásia fecharam em terreno negativo esta sexta-feira, com Tóquio a perder 1,5%. Deutsche Bank abre a cair mais de 7% em Frankfurt. Madrid e Milão lideram quedas na Europa. PSI 20 perde 1%

Jorge Nascimento Rodrigues

A crise do maior banco alemão está a marcar o final da semana e do mês. O afundamento das ações do Deutsche BanK (DB) no New York Stock Exchange (NYSE) na quinta-feira está a provocar uma onda de contágio esta sexta-feira.

As bolsas da Ásia Pacífico fecharam no vermelho, com o índice Hang Seng de Hong Kong a cair quase 2% e o índice Nikkei 225, da bolsa de Tóquio, a perder 1,5%.

A Europa abriu com quedas generalizadas. Madrid e Milão lideram as descidas com quedas superiores a 2%. Em Frankfurt, as ações do DB abriram a afundar-se 7,4%. Os responsáveis do banco alegam que é um "problema de perceção" por parte dos mercados financeiros. O índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, iniciou a sessão em linha com o movimento de baixa europeu, registando uma perda de 1%. À queda do DB associa-se a descida em Frankfurt do segundo maior banco alemão, o Commerzbank, que abriu a perder mais de 5%.

O índice de pânico financeiro na Europa, associado ao Eurostoxx 50, disparou 20% na abertura desta manhã.

Os futuros em Wall Street estão em terreno negativo, o que indicia uma abertura no vermelho pelas 14h30 (hora de Portugal).

Transição e aprendizagem

A crise do DB marcou as quedas na Europa na segunda-feira e as perdas em Nova Iorque na quinta-feira, com as ações da subsidiária no NYSE a afundarem-se 6,7%.

A revelação na quinta-feira pela Bloomberg que 10 fundos que recorrem ao DB para fazer a negociação de contratos derivados, usando-o como contraparte na garantia das transacções, estavam a 'fugir' do banco alemão provocou uma onda de pânico em Nova Iorque (índice de volatilidade disparou mais de 15%) que se arrasta hoje para a Europa.

No caso do Commerzbank, o pânico bolsista foi provocado pela publicação, na quarta feira, "acidentalmente" na intranet do banco, de uma comunicação sobre um plano de reestruturação massivo que o conselho de supervisão ainda estava a discutir. O banco alega estar a ser prejudicado significativamente pelas taxas negativas de remuneração dos depósitos no Banco Central Europeu.

O efeito Clinton (vitória da candidata no debate presidencial de segundnda-feira à noite nos Estados Unidos) na terça-feira e o otimismo moderado com o acordo na reunião informal da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em Argel na quarta-feira não foram suficientes para anular a crise do banco alemão considerado o de mais elevado risco sistémico à escala mundial pelo Fundo Monetário Internacional.

Entretanto, Ewald Nowotny, do conselho do Banco Central Europeu, disse ontem à noite à Reuters que não quer "dramatizar excessivamente" a crise do DB. "A Europa não enfrenta nova crise financeira como a de 2007 e 2008, mas o sector financeiro vive uma fase de transição e de aprendizagem", referiu o governador do Banco Nacional da Áustria. Alguns analistas falaram de um 'Deutsche Brothers' em alusão ao Lehman Brothers norte-americano, principal protagonista em setembro de 2008 da crise financeira.

Deflação aprofunda-se no Japão

Esta sexta-feira na Ásia Pacífico o clima de pessimismo acentuou-se com a divulgação dos dados da inflação no Japão para agosto que revelam o aprofundamento da deflação (quebra de preços). O índice caiu de -0,4% nos três meses anteriores para -0,5% em agosto. O Japão está em deflação desde março.

O Banco do Japão divulgou o sumário da sua reunião de 20 e 21 de setembro onde se verifica que alguns membros do comité de política monetária manifestam reservas sobre a eficácia da política monetária que tem sido seguida (nomeadamente taxas de remuneração negativas dos depósitos dos bancos), e inclusive sobre a “mudança de paradigma” decidida nesta última reunião (decisão para ultrapassar a meta de inflação de 2% e controlo da curva das yields das obrigações do Tesouro a 10 anos).

As bolsas da Ásia Pacífico fecharam no vermelho, com exceção das praças chinesas, com o índice composto de Xangai a subir 0,2% e o de Shenzhen a avançar 0,5%.