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Digital é calcanhar de Aquiles dos grupos media portugueses

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Debate do Estado da Nação dos Media, no Congresso da APDC

Tiago Miranda

Domínío da Google no mercado publicidade online estrangula projetos editoriais digitais, defenderam executivos dos media portugueses durante o Congresso da APDC

João Ramos

João Ramos

Jornalista

Os grupos media portugueses deveriam colaborar entre si para fazer face aos grandes players como a Google e o Facebook que conquistaram a parte de leão do mercado de publicidade digital. Esta ideia foi defendida por Francisco Pedro Balsemão, Ceo da Impresa, durante o debate sobre o Estado da Nação dos media que encerrou nesta quarta-feira o primeiro dia do Congresso da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações. Uma posição que mereceu a concordância dos outros membros do painel,Gonçalo Reis, CEO da RTP e Rolando de Oliveira, vice-presidente do Grupo Controlinveste.

“90% das receitas publicitárias na Europa são monopolizadas pela Google, uma empresa americana. Sobra uma fatia de 10% que é disputada pelos media europeus”, ilustrou Rolando Oliveira reconhecendo que o salto para o digital que já foi dado pelo grupos media portugueses não tem sido bem-sucedido.

Para contrariar esta posição dominante da Google na publicidade online, estes responsáveis de grupos media convergiram na ideia que este gigante digital devia ter a sua atividade regulada pelos governos europeus e pela Comissão Europeia.

Gonçalo Reis referiu, por outro lado, que os canais abertos generalistas (free to air) “resistiram à morte várias vezes anunciada” e defendeu que continuarão a ter o seu espaço devido à qualidade da informação e dos programas de entretenimento.

Francisco Pedro Balsemão, destaca a esse propósito que se criou nos últimos em Portugal uma indústria de conteúdos forte e com vocação exportadora. O presidente executivo do grupo Impresa destacou que as novelas da SIC têm vindo a ganhar de forma consecutiva diversos prémios internacionais e a conquistar mercados internacionais. Recordou, no entanto, que a produção de conteúdos nacionais (filmes e novelas), “custa dinheiro e é mais dispendiosa do que a compra deste tipo de conteúdos no estrangeiro". Para obviar esta situação, Francisco Pedro Balsemão avançou que seriam “bem-vindas” ajudas governamentais aos grupos portugueses que permitissem 'nivelar o terreno' de competição, face a outras estações televisivas que beneficiam desse tipo de subvenções".