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CaixaBank está "centrado" no BPI e afasta-se do Novo Banco

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O espanhol CaixaBank veio reafirmar esta quinta-feira, em declarações ao Expresso, que está apenas "centrado" na OPA do BPI, e não comenta o eventual interesse na compra do Novo Banco

“Face às noticias publicadas hoje, o CaixaBank reitera que não comenta o processo do Novo Banco e que está unicamente centrado na oferta sobre o BPI", disse ao Expresso, fonte oficial do banco espanhol. O CaixaBank é o maior acionista do BPI,com mais de 45% do capital, e tem em cima da mesa uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o banco português. A Bloomberg noticiou esta quarta-feira, citando fontes próximas do CaixaBank, que o banco espanhol se vai opor à compra do Novo Banco pelo BPI.

Uma das grandes questões que se coloca depois de na semana passada terem sido desblindados os estatutos do BPI foi a de saber se o banco liderado por Fernando Ulrich vai mesmo apresentar uma proposta de compra para o Novo Banco. Há uns meses o CaixaBank terá dado indicações às autoridades portugueses de que seria um candidato sério ao Novo Banco se a questão da OPA se resolvesse, como noticiou o Expresso no sábado passado. Mas tudo indica que o Caixabank está pouco entusiasmado com a ideia de poder vir a comprar o antigo BES. O BPI é, no entanto, um dos quatro grupos que está a avaliar a aquisição do Novo Banco, no âmbito do processo de venda em curso.

No dia em que a desblindagem foi aprovada, a 21 de setembro, Artur Santos Silva, presidente do Conselho de Administração do BPI, veio reforçar a ideia de que o banco está interessado no Novo Banco. "O banco (BPI) está a estudar seriamente essa operação e vai continuar a estudá-la e a tomar decisões. O aspeto que hoje foi resolvido permite ao banco tomar posições quando for a altura e quando for conveniente, porque não está bloqueado nas exigências de capital", defendeu o fundador do BPI.

No mesmo dia, o presidente executivo do banco catalão, Gonzalo Gortázar esclareceu, em Madrid, que a compra da maioria do BPI é uma exceção à estratégia de internacionalização do CaixaBank. E explicou porquê: "o sector bancário não está em época de internacionalização, com aquisições transfronteiriças". A prioridade do CaixaBank, tem dito a mesma fonte, é concluir a OPA e avançar com cortes de custos para melhorar a eficiência do BPI. Ir ao Novo Banco obrigaria os catalães a levantar dinheiro no mercado, e esta semana o CaixaBank comunicou que vendeu 9,9% do capital, detido através de ações próprias, para financiar a OPA. Para ficar com 100% do capital do BPI, teria de investir cerca de €900 milhões.