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BCP funde ações e abre a porta aos chineses da Fosun

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Fosun já admitiu que poderia ficar com 30% do BCP, tornando-se assim o maior acionista

Nuno Fox

A fusão das ações do BCP anunciada na terça-feira melhora a reputação do banco nos mercados financeiros e é mais um passo para que os chineses da Fosun entrem no capital e se tornem um acionista de referência

O anúncio da aprovação pelo conselho de administração do BCP de que irá avançar, a 24 de outubro, com a fusão das ações foi recebida com entusiasmo pelos investidores. As ações do banco estão a subir 2,67% para 1,54 cêntimos. Será uma fusão de 75 ações em uma ação, o que significa que a preços de mercado o título ficaria a valer 1,1275 euros.

O reagrupamento das ações era uma das condições impostas pela Fosun para entrar no capital do BCP. Aliás, o banco fez já um comunicado esta quarta-feira onde afirma que "decidiu mandatar a comissão executiva para prosseguir e finalizar com exclusividade as negociações com a Fosun". São várias as condições para que esta seguradora chinesa se torne acionistas, uma delas é também o aumento do limite do uso de direitos de voto dos atuais 20% para 30%.

A Fosun, que em Portugal é dona da Fidelidade e da Luz Saúde, já adiantou que está disponível para ficar com 30% do capital. Numa primeira fase deverá comprar até 20%, o que significa um investimento de cerca de 200 milhões de euros. A Fosun entrará no âmbito de um aumento de capital.

A fusão das ações do BCP tornou-se possível depois de ter entrado em vigor a alteração do Código do Mercado de Valores Mobiliários aprovada pelo Governo no Conselho de Ministros de 22 de setembro. Trata-se de um diploma que permite reagrupar ações, o chamado reverse stock split, fora das operações de redução de capital.

O reagrupamento das ações do BCP, defendem os analistas, aumenta a reputação e melhora a percepção dos investidores em relação ao valor do banco, uma vez que o facto de ações valerem um cêntimo penaliza o título. Há fundos que não investem em ações com uma cotação tão baixa. Além disso, a variação é também mais profunda quando estamos perante cotações de um a dois cêntimos, como é o caso do BCP.

  • O reagrupamento de ações avançará de imediato, depois de o conselho de administração do banco ter aprovado a operação na terça-feira, anunciou a instituição em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários