Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Prémio de risco da dívida em máximo de sete meses

  • 333

O risco de Portugal subiu esta terça-feira para 356,1 pontos base, ultrapassando o prémio atingido em julho aquando da crise das sanções. Retorno negativo da dívida agrava-se. Dívida alemã a 15 anos com juros negativos

Jorge Nascimento Rodrigues

O prémio de risco da dívida portuguesa subiu esta terça-feira seis pontos base para 356,1 pontos base, o equivalente a um diferencial de 3,56 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência.

Este nível de risco do país ultrapassa o prémio de 354 pontos base registado no fecho de 15 de julho, no auge da crise das sanções a Espanha e Portugal por incumprimento das metas de redução do défice excessivo. Com o pico do risco do ano em 371, 5 pontos base atingido no fecho de 11 de fevereiro, o nível de hoje é um máximo de sete meses.

Em virtude da descida das yields das obrigações alemãs a 10 anos, que servem de referência na zona euro, para terreno ainda mais negativo, fechando em -0,143%, o prémio subiu para os periféricos da zona euro, com exceção da Grécia. A subida portuguesa foi a mais elevada.

Retorno negativo da dívida agrava-se

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos subiram quatro pontos base fechando em 3,42%, atingindo 3,46% durante a sessão desta terça-feira. Estão ainda abaixo do máximo do mês, até à data, de 3,48% registado no fecho de 16 de setembro no pico da especulação sobre um segundo resgate, apesar da agência Moody’s ter atribuído uma “probabilidade baixa” a um evento desse tipo.

O índice da dívida obrigacionista portuguesa baixou para 148,55, segundo dados da Bloomberg. O que significa que o retorno desde início do ano piorou em relação a sexta-feira passada. A rentabilidade negativa da dívida, medida desde início de 2016, agravou-se de -2,24% a 23 de setembro para -2,34% esta terça-feira. A situação mais grave, este ano, registou-se aquando da crise de 11 de fevereiro, com o índice da Bloomberg a cair para 140,7, correspondendo a um retorno negativo recorde de -7,5%.

O contexto específico português está marcado pelo stresse em torno da decisão que a agência canadiana DBRS poderá tomar sobre o rating da dívida portuguesa a 21 de outubro e as eventuais tensões com Bruxelas durante o mês de outubro em torno do ‘rascunho’ do orçamento de Estado para 2017 e do relatório sobre o andamento da consolidação orçamental até final de 2016.

Esta terça-feira as yields das obrigações italianas subiram dois pontos base, mas mantiveram-se sem alteração as relativas às obrigações espanholas e irlandesas, e desceram quatro pontos base as relativas às obrigações gregas (que se mantêm acima de 8,4%).

Contexto externo agrava-se

A crise do Deutsche Bank na zona euro – apesar de hoje ter fechado a cotação na bolsa de Frankfurt sem alteração em relação ao dia anterior, depois de ter estado a cair mais de 3% durante a sessão até início da tarde -, o corte significativo pela Organização Mundial do Comércio (OMC) da previsão de crescimento do comércio internacional para 2016 (de 2,8% para 1,7%), e a repetição pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) do aviso que a política monetária, por mais estimuladora que seja, não chega, são fatores que têm pesado negativamente no ‘sentimento’ dos investidores em dívida soberana.

A confirmarem-se as previsões da OMC, a desaceleração do crescimento do comércio internacional entre 2015 e 2016 será similar à ocorrida entre 2014 e 2015 e atira a dinâmica das trocas mundiais para o pior ano desde 2009. Em termos de rácio entre o crescimento das trocas mundiais e do produto mundial, a situação será a pior dos últimos quinze anos, caindo para um nível inferior a 1. Ou seja, as trocas mundiais crescem menos do que o próprio PIB mundial.

Recorde-se que, na semana passada, a OCDE corrigiu em baixa a previsão de crescimento mundial de 2016 para 2,9%, abaixo da 'linha vermelha' de 3%. Aguarda-se, agora, a revisão da previsão anterior (3,1%) por parte do FMI, o que deverá ser anunciado ainda antes da sua assembleia anual entre 7 e 9 de outubro.

Entretanto, a organização de Washington já fez um aviso esta semana: se o crescimento, e nomeadamente o investimento, não descolarem à escala mundial (e se os governos não fizerem por isso), o comércio internacional em volume continuará deprimido nos próximos anos. O FMI divulgou, esta terça-feira, o capítulo 2 do 'World Economic Outlook', que aborda o que está por detrás da desaceleração do comércio global. O estudo sugere que 3/4 da desaceleração desde 2012, em comparação com o período de 2003 a 2007, se deve "a um crescimento económico fraco, e nomeadamente a um investimento deprimido".

A procura de ativos seguros empurrou as yields das obrigações alemãs e japonesas a 10 anos para terreno ainda mais negativo esta terça-feira. No prazo a 15 anos, as yields das obrigações alemãs regressaram esta terça-feira a terreno negativo, depois de terem estado abaixo de zero por cento em algumas sessões de julho e agosto.

Do ‘clube’ de juros negativos a 15 anos fazem, agora, parte a Alemanha e a Suíça. No outro ‘clube’ dos juros negativos a 10 anos encontram-se Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Japão e Suíça.

  • O prémio de risco da dívida portuguesa ultrapassou esta segunda-feira 3,5 pontos percentuais, apesar dos juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos terem subido marginalmente. Juros desceram para as obrigações espanholas, irlandesas e italianas