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Deutsche Bank contagia e deprime bolsas europeias

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As sérias dificuldades atravessadas pelo Deutsche Bank, o maior banco alemão, e o anúncio de despedimentos e suspensão de dividendos pelo Commerzbank, estão a deixar os investidores nervosos e a arrastar as bolsas europeias para terreno negativo

O efeito positivo criado pela supremacia de Hillary Clinton no debate com Donald Trump, apontando para uma maior probabilidade de vitória dos democratas nas eleições norte-americanas, alivou os mercados internacionais que iniciaram a sessão em alta. Mas o efeito durou pouco, a fragilidade da banca alemã está a deixar nervosos os investidores e atirou as principais praças europeias para terreno negativo.

O Deutsche Bank, que na segunda-feira fechou a desvalorizar mais de 7,5%, voltou esta terça-feira a afundar. As ações do maior banco alemão estão a perder mais de 2,5%. O Deutsche Bank, considerado pelo FMI como um dos bancos que maior risco sistémico representa para o sistema financeiro internacional, está a ser fortemente penalizado perante a possibilidade de ter de vir a pagar uma coima de 14 mil milhões de dólares por alegada venda de produtos tóxicos nos EUA.

Para fazer face a esta dívida o Deutsche Bank terá de fazer um aumento de capital, e a situação de fragilidade do banco não facilitará esta operação.

As más notícias sobre a banca alemã não param por aqui. O Commerzbank, segundo maior banco alemão, anunciou um plano de corte de custos no montante de mil milhões de euros, que passa, segundo a imprensa alemã, pelo despedimento de 9000 pessoas e pelo adiamento do regresso ao pagamento de dividendos. O Estado alemão, detentor de cerca de 15% do capital, resgatou o Commerzbank em 2008 e de novo em 2009. As ações do Commerzbank estão a cair mais de 3%.

Os sinais de que a banca alemã não está saudável estão a provocar incerteza e a deixar os investidores nervosos. Há contágio negativo, espelhado nos índices. Às 12:30, a o PSI20 da bolsa de Lisboa perdia 0,62%, o DAX alemão recuava 0,91%, o IBEX de Madrid desvalorizava 0,35% e CAX40 de Paris caía 0,62%.

Curiosamente em na Bolsa de Lisboa, a banca portuguesa está em alta. O BCP está a subir 0,65% para 0,015 euros perante a expectativa de o acordo com a chinesa Fosun para a entrada no capital esteja prestes a ficar concluído. A Fosun pretende ficar para já com 16,7% do capital. Já o BPI valoriza 0.09%, ainda a beneficiar da aprovação da desblindagem dos estatutos, permitindo assim que a oferta pública de aquisição (OPA) do espanhol CaixaBank avance.

  • O risco de um período de baixa inflação persistente aumentou nas economias desenvolvidas onde a atuação dos bancos centrais está a ser vista como limitada, refere o World Economic Outlook divulgado esta terça-feira. É preciso mais ação dos governos e maior sinergia entre países