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Bolsas da Ásia reagem positivamente a vitória de Clinton no debate

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A bolsa de Hong Kong está a liderar as subidas com ganhos acima de 1%. Índices asiáticos e futuros em Wall Street subiram ao longo do debate entre Donald Trump e Hillary Clinton

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da Ásia Pacífico estão esta terça-feira em terreno positivo na maioria das principais bolsas, que já negoceiam na sessão da tarde, e os futuros em Wall Street ganham mais de 0,6%. A abertura da Europa ocorrerá daqui a pouco mais de duas horas.

Os principais índices bolsistas asiáticos e dos futuros do Dow Jones 30 e do S&P 500 começaram a subir ao longo do debate entre os dois candidatos presidenciais norte-americanos e à medida que se consolidava a perceção nos mercados financeiros de uma vitória de Hillary Clinton no primeiro de três confrontos televisivos até às eleições de 8 de novembro.

As subidas são lideradas pelo índice Hang Seng da bolsa de Hong Kong que regista ganhos de 1,1%. O importante índice nipónico Nikkei 225 sobe 0,3%. Seul e Mumbai estão, também, a negociar em terreno positivo. No vermelho estão os índices ASX 200 de Sydney e os índices compostos de Xangai e Shenzhen na China. No entanto, os índices A50 e DJ Xangai chineses estão em terreno positivo.

Neutralizar o efeito da crise do Deutsche Bank

Depois das bolsas mundiais terem fechado na segunda-feira com uma quebra de quase 1%, com destaque para as perdas mais elevadas registadas nos mercados emergentes (queda de 1,31%) e na Europa (descida de 1,15%), a tendência para uma terça-feira com ganhos poderá inverter a trajetória de duas sessões consecutivas no vermelho (sexta-feira passada e segunda-feira) nos índices MSCI mundial, da Ásia Pacífico, da Europa, dos Estados Unidos e dos mercados emergentes. As bolsas de Nova Iorque fecharam na segunda-feira com perdas globais de 0,84%.

A vitória de Clinton no debate poderá, nomeadamente na Europa, neutralizar o efeito negativo global que está a ter a situação do Deutsche Bank (DB) alemão. A sua cotação fechou na segunda-feira em 10,55 euros, o valor mais baixo de sempre, significando uma queda de 7,5% na sessão e de 16,2% desde início do mês de setembro. Desde o final do ano passado, a cotação já quebrou mias de 53%. O índice europeu para o sector bancário perdeu nas duas sessões mais de 34 mil milhões de euros de capitalização.

O banco alemão foi recentemente multado pelo Departamento de Justiça norte-americano em 14 mil milhões de dólares e a revista alemã 'Focus' referia este fim de semana que o governo de Angela Merkel tenderá a não intervir, pressionado pelas soluções que têm sido adotadas na Europa para resolução bancária (vidé casos recentes de Portugal e Itália) e face às eleições federais a realizar no próximo ano. Alguns analistas falam já do DB poder vir a ser o "Lehman Brothers da Alemanha".

Os analistas estão na expetativa de ver se o efeito Clinton supera, de facto, na Europa, o caso Deutsche Bank.

Reuters e Bloomberg sublinham reação positiva dos investidores

A Reuters referia num despacho após o debate que as ações asiáticas estavam a recuperar, na medida em que os investidores parecem dar a vitória a Hillary Clinton no debate presidencial de segunda-feira, e a Bloomberg navegava no mesmo tom, sublinhando que os mercados financeiros sugerem que os operadores se inclinam para uma vitória da candidata presidencial neste primeiro confronto televisivo.

Numa sondagem instantânea realizada pela CNN, Clinton teria ganho o debate de 90 minutos por 62% contra 27% para Trump, com uma margem de erro de 4,5%. Mas, em sondagens online, Trump aparece à frente na CNBC International, na Drudge, no The Hill e na Time (neste caso, uma vitória que o candidato logo colocou no twitter).

Neste primeiro debate realizado na Universidade de Hofstra, em Long Island, o candidato Trump atacou a política monetária da Reserva Federal norte-americana acusando-a de estar a sustentar artificialmente as bolsas e a agir politicamente. “Estamos numa bolha gorda e feia e é preferível ser terrivelmente cuidadoso”, disse, para acrescentar: “Temos uma Fed que está a agir politicamente mantendo as taxas de juro a este nível [baixo]”.

Hillary Clinton, por seu lado, caracterizou o programa económico do seu adversário como uma “versão mais extrema” da política Republicana de favorecimento do segmento de topo dos ricos, no pressuposto que algo “pinga” para baixo (conhecido pela designação humorística de 'trickle down'). Segundo o think tank conservador Tax Foundation, o plano económico de Trump implica um aumento de 10,2% no rendimento do segmento de 1% de topo dos contribuintes.

Dívida e fisco na visão de Trump

A questão da dívida pública norte-americana também tem sido aflorada na contenda, com o ‘The Economist’ a sublinhar que Trump parece ser o “rei da dívida” (soberana) admitindo poder renegociá-la em determindas circunstâncias. Segundo cálculos do Committee for Responsible Federal Budget, a estratégia do candidato implicaria um salto no rácio da dívida pública de 77% do PIB atualmente para 105% daqui a dez anos. No caso do programa da candidata, a subida seria mais modesta, para menos de 90% do PIB.

A revista britânica ironizava com o facto de recentemente Trump ter dito à CNBC que ele era “o rei da dívida, eu gosto de dívida, eu gosto de jogar com ela” e de ter admitido que “pediria emprestado, sabendo que, se a economia tiver um colapso, poderemos fazer um acordo [sobre a dívida]”.

Em matéria fiscal, Trump ironizou, em resposta à oponente, que a postura dele só revela " eu ser inteligente" por saber como não pagar impostos sobre o rendimento – e, argumentou que, se os pagasse, o dinheiro seria "desperdiçado, acreditem-me".