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Avaliação de Domingues sobre CGD implica mais cortes de custos

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José Caria

O novo presidente da Caixa assume que o conjunto dos bancos registou cortes de custos na ordem dos 15% desde 2010, mas a Caixa ficou abaixo desse patamar, nos 9%, e por isso “é preciso fazer ajustamentos”. Ou seja, os cortes no número de trabalhadores e agências vão disparar

Na quarta audição da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD), coube ao novo presidente da Caixa, António Domingues, explicar as necessidades de capital atuais do banco público, cuja recapitalização ascendende a 5,16 mil milhões. O capital a injectar diretamente pelo Estado poderá ascender a 2,7 mil milhões de euros.

Domingues, que tomou posse a 31 de agosto, afirma que a Caixa "é um excelente banco de retalho", mas reduziu menos os custos que os seus principais concorrentes, nomeadamente o BCP e o BPI, e "não pode correr o risco de ficar fora do mercado". Entre 2010 a julho de 2016, a banca reduziu em média os custos em 15%, enquanto a CGD cortou 9%.

O banco público fez menos cortes que um banco de idêntica dimensão, o BCP, que naquele período reduziu em 31% os trabalhadores, fechou 24% e teve um corte de custos de financiamento de 42%. António Domigues não quis porém avançar com os cortes planeados no âmbito do plano de reestruturação acordado com a Direção Geral da Concorrência Europeia. Na verdade também não o podia fazer, já que ficou acordado entre os deputados detalhes do plano não poderiam ser abordados nesta Comissão.

"O conjunto dos bancos reduziram os seus custos em 15%, nomeadamente a com diminuição de trabalhadores e balcões (...). A CGD baixou apenas 9%", afirmou António Domingues ao deputado do CDS, João Almeida. E explicou: tendo o negócio diminuido para todos os bancos, o esforço dentro do sector foi cortar nos custos para fazer face à quebra de receitas. Na Caixa isso não aconteceu da mesma forma. Agora, o banco público tem "necessidade de adaptar os custos de financiamento à sua capacidade de gerar recieta futura".

Sobre as necesidades de capital serem maiores do que as supostamente previstas pela anterior administração da Caixa, Domingues afirma desconhecer o antigo plano. "Desconheço o racional dos meus antecessores, respondo pelas minhas exigências".