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Renault avança para nova produção em Cacia

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A intenção da Renault modernizar a fábrica de Cacia tinha sido revelada ao Expresso em julho pelo diretor mundial Thierry Koskas. Agora, foi a vez de ser negociada com os trabalhadores. Resta saber como é que a administração da marca conjugará os investimentos futuros com a procura mundial de automóveis

Lucília Monteiro

O novo investimento da Renault em Cacia, destinado a fabricar as caixas de velocidade de nova geração do grupo automóvel francês – que serão colocadas na nova família de veículos que a aliança Renault-Nissan pretende produzir em 2018-2019 – deverá avançar em 2017.

Esta informação já tinha sido revelada ao Expresso em julho pelo diretor mundial Thierry Koskas. Agora este projeto pode vir a ter uma dimensão maior, mas o Expresso sabe que a administração da Renault ainda não tomou uma decisão final sobre o montante total a investir em Aveiro.

Na altura em que o projeto de modernização de Cacia foi divulgado ao Expresso – e foi citado pela agência de investimento Aicep – ainda não tinham sido iniciadas negociações laborais para este efeito. Ou seja, não se conhecia a resposta da administração da Renault às reivindicações sindicais sobre a integração de trabalhadores eventuais que apoiavam a produção de Cacia.

Segundo representantes dos trabalhadores, estas negociações foram agora concluídas com sucesso, admitindo-se a possibilidade de integração de 150 trabalhadores a prazo no quadro da fábrica de Cacia. Fontes do grupo francês já tinham admitido ao Expresso que um "prémio" pelo bom desempenho da fábrica de Cacia – eleita dentro do Grupo Renault como a melhor do mundo na produção de componentes – poderia ser o reforço do seu quadro de trabalhadores permanentes.

No entanto, apesar de ser confirmada a intenção de avançar com a modernização de Cacia, canalizando para Aveiro um montante anual superior aos valores tradicionalmente investidos na unidade, a administração da Renault em França ainda não esclareceu o montante global que poderá ser concretizado nos próximos 15 anos em Cacia. Isto é, desconhece-se formalmente se o valor previsto pelos trabalhadores – de 150 milhões de euros no conjunto dos próximos 15 anos – corresponde ao projeto pretendido em França para Cacia.

Por um lado, a administração da Renault em França ainda não divulgou o projeto final para Cacia, e, por outro lado, o valor que deve ser investido em cada ano poderá variar em função dos equipamentos que terão de ser instalados em Cacia para iniciar o fabrico das novas caixas de velocidade.

Apesar das caixas de velocidade representarem 70% do volume de negócios de Cacia, os restantes 30% são obtidos com a exportação de componentes mecânicos como as bombas de óleo e árvores de equilibragem. As exportações de Cacia fornecem unidades da Renault e marcas que tem acordos de produção que funcionam em 14 países de quatro continentes.

A maior fábrica deste conjunto de unidades que Cacia fornece é a gigantesca fábrica russa da Lada, a AvtoVaz, em Tolyatti (ex-Stavropol-on-Volga). Localizada perto do Cazaquistão, esta fábrica emprega 53 mil trabalhadores (no tempo da União Soviética chegou a empregar 110 mil trabalhadores).

Se a produção desta unidade aumentar – e atualmente está a produzir cerca de 571 mil veículos por ano, quando tem uma capacidade instalada para fabricar um milhão de veículos por ano, ou seja, 10 vezes mais que uma fábrica como a Autoeuropa de Palmela –, a cadência de fabrico de caixas de velocidade de Cacia poderia disparar, implicando um reforço nos investimentos de produção e no número de trabalhadores utilizados pela unidade de Aveiro.

Este exemplo mostra como, no prazo de 15 anos, a cadência de produção da unidade de Cacia pode variar bastante e de uma forma que atualmente é pouco previsível. No mesmo sentido, a Renault iniciou agora a produção na China, que é um mercado que pode disparar e crescer muito além das previsões iniciais. Para 2016, a Renault confirma que será concretizado o objetivo de produzir três milhões de veículos em todo o mundo, e neste números não está incluída a produção da Lada.

A unidade de Cacia trabalha com um quadro de 1016 trabalhadores e é gerida pelo espanhol Juan Melgosa. O investimento local já foi reforçado na modernização das áreas de produção com mais 10,6 milhões de euros.

Na última década, a Renault investiu mais de 220 milhões de euros na fábrica de Cacia, 58 milhões dos quais e só nos últimos quatro anos. A Renault Cacia fabrica sobretudo dois tipos de caixas de velocidade (com cinco e seis velocidades), bombas de óleo, árvores de equilibragem, volantes, coletores, cárteres, pinhões e uma diversidades de peças para os componentes mecânicos de diversos modelos.

A fábrica de Aveiro produz desde 1981 e tem apostado do desenvolvimento de I&D para manter uma atualização constante à evolução tecnológica do sector automóvel. Os seus maiores mercados de exportação são França, Espanha, Reino Unido, Roménia, Brasil, Chile, Marrocos, Irão e Rússia.