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Prémio de risco da dívida continua a subir

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O prémio de risco da dívida portuguesa ultrapassou esta segunda-feira 3,5 pontos percentuais, apesar dos juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos terem subido marginalmente. Juros desceram para as obrigações espanholas, irlandesas e italianas

Jorge Nascimento Rodrigues

O prémio de risco da dívida portuguesa fechou esta segunda-feira ligeiramente acima de 350 pontos base, o equivalente a um diferencial de pouco mais de 3,5 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã que serve de referência.

O máximo do ano registou-se na crise de fevereiro, com o risco a fechar em 371,48 pontos base no dia 11 daquele mês. Com o stresse das sanções a Espanha e Portugal, o risco subiu para 353,91 pontos base em 15 de julho. A especulação sobre uma eventual alteração da notação da dívida portuguesa por parte da agência canadiana DBRS a 21 de outubro tem alimentado o que já é designado por stresse do rating em setembro e que poderá prolongar-se por outubro.

O risco do país mede-se pela diferença entre o custo de financiamento a 10 anos da dívida portuguesa e da divida alemã no mercado secundário. Com a subida das yields das Obrigações do Tesouro (OT) português e com a descida das relativas às obrigações alemãs, que se afundaram, de novo, em terreno negativo, o diferencial tem aumentado.

Em relação a sexta-feira passada, o prémio de risco subiu esta segunda-feira para Portugal em quatro pontos base, para a Grécia em nove pontos base, e para a Itália em 1 ponto base, e desceu marginalmente para Espanha. O risco irlandês subiu marginalmente.

No mercado secundário, as yields das OT subiram ligeiramente em relação ao fecho de sexta-feira passada, aumentando de 3,377% para 3,381%, segundo dados da Bloomberg. Abriram esta segunda-feira a subir para 3,52%, mas depois entraram em trajetória descendente. O máximo do ano foi registado na crise de 11 de fevereiro com as yields a ultrapassarem os 4,1% e o pico do mês de setembro verificou-se no dia 16 chegando a perto de 3,5% durante a sessão.

As yields das obrigações gregas subiram cinco pontos base, fechando em 8,47%. Pelo contrário, desceram quatro pontos base para as obrigações espanholas e irlandesas e dois pontos base para as italianas.

Nas economias do 'centro' da zona euro, a Finlândia entrou esta segunda-feira, pela primeira vez, no 'clube' das dívidas a 10 anos com yields negativas, fechando em -0,004%. A Holanda regressou a esse 'clube' com as yields a 10 anos a fecharem em -0,001%. A Alemanha lidera esse grupo na moeda única, com as yields das Bunds (designação das obrigações) a 10 anos a afundarem-se hoje em terreno negativo, caindo para -0,123%.

Yields negativas significam que os investidores se dispõem a 'pagar' aos Estados emissores para adquiririrem e manterem essas obrigações, inclusivé em prazos mais longos. Em vez de serem os Estados emissores a pagarem um juro nominal aos investidores, são estes que pagam como que uma taxa para terem esses títulos.

Essa situação excecional acontece em onze países da zona euro (incluindo Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Irlanda e Itália em alguns prazos), em outros membros da União Europeia (Dinamarca, República Checa e Suécia) e ainda na Suíça (com juros negativos até 30 anos de prazo) e no Japão. O 'clube' dos juros negativos no prazo a 10 anos é formado atualmente pela Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Japão e Suíça.

  • Em setembro, o prémio de risco da dívida portuguesa já subiu mais de três décimas, mas ainda está a alguma distância do pico do ano na crise de fevereiro. Desde início do ano subiu mais de 1,2 pontos percentuais. Em segundo lugar, vem a Grécia