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Isabel dos Santos “ainda não decidiu” se vende no BPI

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O português Mário Leite Silva é o braço-direito de Isabel dos Santos e representante da Santoro no BPI

Luis Barra

Oito anos depois de ter entrado no BPI, a angolana Isabel dos Santos, que é hoje a segunda maior acionista, pode estar de saída. É uma decisão que ainda está no segredo dos deuses. Mário Leite Silva deixa todos os cenários em aberto. Se vender, vai ganhar dinheiro, até porque comprou metade da posição do brasileiro Itaú a 50 cêntimos por ação. A mais-valia pode chegar a €66 milhões. O presidente da Santoro garante que Isabel dos Santos vai continuar a investir em Portugal. Mário Silva respondeu às perguntas por escrito.

A Santoro vai vender a participação de 18,6% do BPI na OPA do CaixaBank?
O conselho de administração da Santoro, em conjunto com o seu acionista, Isabel dos Santos, ainda não decidiu se manterá, reduzirá ou venderá a sua posição acionista no BPI. Sempre apoiámos e contribuímos positivamente para o BPI, como provam os momentos em que investimentos. Em 2009, num período nada fácil para a economia portuguesa, e em 2011, quando reforçámos a posição numa altura em que Portugal já vivia em período de resgate financeiro e quando um acionista histórico do BPI — o Banco Itaú — decidiu vender. Participámos em todos os aumentos de capital. Este ‘percurso’ fala por si e demonstra que a Santoro sempre teve um compromisso de longo prazo com o BPI. Posso adiantar que mesmo que decidamos vender a nossa participação, o retorno do investimento será interessante para nós, enquanto investidores.


O controlo do Banco Fomento Angola (BFA) pela Unitel, que comprará 2% do banco angolano ao BPI, foi a moeda de troca para a desblindagem dos estatutos? Porque não foi possível fazer este acordo antes? O que mudou?
Nesta solução não houve nenhuma ‘moeda de troca’. A OPA do CaixaBank, só por si, não resolveria o tema dos grandes riscos imposto pelo Banco Central Europeu. O limite (redução da exposição do risco do BPI a África) tem que ser cumprido por um banco em todos os países onde está presente. Mesmo que o CaixaBank fosse o acionista maioritário do BPI, teria de garantir que o limite dos grandes riscos era cumprido, não só em Espanha, como também em Portugal. A solução apresentada resolve, finalmente, o problema dos grandes riscos, imposto pelo BCE, e não pela Unitel, e que obrigava o BPI a reduzir a exposição ao BFA. A Unitel e a Santoro são duas empresas independentes, com gestão profissional, sectores e geografias distintos e estruturas acionistas próprias. São muitas vezes ‘confundidas’ por terem na sua estrutura acionista a engenheira Isabel dos Santos, mas é importante distinguir que, enquanto a Santoro é 100% detida pela mesma e, por tal, totalmente dominada por si, a Unitel tem quatro acionistas, cada um com 25% do capital.

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