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Tem 50 euros? Pode tornar-se investidor em projetos e negócios de energia limpa

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A Parity é uma plataforma desenvolvida em Portugal baseada no modelo de ‘crowdfunding’ e transforma qualquer pessoa num potencial investidor disposto a apostar em projetos e negócios com preocupações ambientais

André Manuel Correia

Chama-se Parity mas é um conceito sem par em Portugal. Consiste numa plataforma online de “crowdfunding”, já disponível, para angariar pequenos e grandes investidores dispostos a apoiar modelos de negócio que tenham por base soluções sustentáveis e com preocupações ambientais.

Trata-se de um modelo já experimentado a nível europeu e fortemente fomentado pela Comissão Europeia com programas de apoio a ‘startups’ que apostem em energias limpas. No Parity, qualquer um pode ser investidor, pois o valor mínimo é de 50 euros. Aqui não há taxas variáveis, não há exigências por parte da banca e cada pessoa que decida aplicar o seu dinheiro num dos projetos tem o retorno garantido.

Na apresentação da plataforma, no Porto, o Expresso falou com o diretor-executivo da mesma, Nuno Brito Jorge, ainda antes da sessão de inauguração. Conta que a ideia surgiu em 2012, a partir da sua vontade – juntamente com a de outros amigos – de desenvolver uma aplicação sustentável em que pudesse aplicar algumas poupanças. “O objetivo era conseguir colocar o dinheiro em alguma coisa que soubéssemos que pudesse ser usado para um bom fim e que pudesse ter um retorno financeiro interessante”, explica o responsável. No fundo, trata-se de um conceito baseado na ideia de “money for good”, sintetiza Nuno Brito.

O Parity foi criado pela empresa Boa Energia e tem como finalidade apoiar qualquer PME que queira investir em energias renováveis, embora numa primeira fase a plataforma apenas inclua conceitos empreendedores ligados à energia solar. No futuro, o objetivo passa por integrar outos projetos ligados à eficiência energética, como, por exemplo, modelos de negócio ligados ao turismo sustentável ou ao tratamento de resíduos. A ideia passará sempre pela aposta no ‘green development’ que, na perspetiva de Nuno Brito Jorge, “é essencial e está em crescendo”.

Sobre a mecânica de funcionamento da plataforma, o diretor explica que se trata de um ‘crowdfunding’ em forma de empréstimo. “É um ‘peer-to-peer lending’ e o nosso objetivo é colocar diretamente em contacto empresas ou organizações que querem capital para os seus projetos na área da energia social, com pessoas que têm a disponibilidade e interesse para investir”, acrescenta Nuno Brito.

Não se pense, contudo, que para se ser investidor é preciso uma quantia avultada. O valor mínimo para aplicar o seu dinheiro, sempre que um potencial interessado se regista na plataforma, é de 50 euros. “Qualquer um pode fazer um investimento desse valor, só para experimentar no início, e depois aumentar à medida que for ganhando confiança no projeto e for recebendo capital e juros”, explica o dirigente do Parity.

“Nota-se que as pessoas estão à procura de coisas alternativas, de aplicações em que podem saber o que é feito com o dinheiro que investem”, diz Nuno Brito Jorge. “Nós usamos o termo investidor, mas no fundo o que as pessoas estão a fazer são empréstimos. As taxas não são variáveis, há uma taxa prevista à partida. A pessoa empresta dinheiro a um promotor do projeto e depois é remunerada em função disso”, garante o CEO.

Portugal é o quinto país com mais interesse em ‘crowdfunding’

Na opinião do responsável, já não há outra forma de pensar em economia sem que ela passe pela dinamização de projetivos sustentáveis e pela aposta em soluções alternativas mais limpas e verdes. “Há muito movimento nesta área do ‘clean tech’ e mesmo por parte da Comissão Europeia há um grande fomento para que estas coisas aconteçam, com programas de apoio a ‘startups’ especializadas neste sector”, assevera.

O responsável pelo Parity confessa, ainda assim, existirem “muitas dificuldades” para qualquer PME conseguir financiamento, através dos meios tradicionais, para desenvolver um projeto sustentável e de cariz ambiental. “Os capitais próprios são para o processo produtivo, a banca pode emprestar mas tem taxas de risco altíssimas e juros elevados. O nosso objetivo, então, é fazer a ligação direta entre as pessoas e as organizações”, explica Nuno Brito Jorge.

Esta plataforma pioneira em Portugal foi fortemente influenciada pelo surgimento, em 2011, no Reino Unido, da Abundance Investment, liderada por Karl Harder, que também marcou presença esta quarta-feira na sessão de apresentação do Parity e é um dos consultores externos do projeto em Portugal.

Para Nuno Brito, o modelo desenvolvido por Karl Harder é um exemplo e uma inspiração. “Eles já têm mais 20 milhões de euros angariados, de cidadãos que preferem investir em energia limpa do que optar por contas-poupança ou outras soluções equivalentes”, salienta o diretor-executivo da plataforma portuguesa.

Durante a apresentação do Parity, Nuno Jorge Brito destacou que Portugal é atualmente o quinto país com mais interesse per capita em modelos de ‘crowdfunding’, estimando que no nosso país possa haver meio milhão de 500 mil pessoas com tendência para fazer este tipo de investimento.

Inicialmente, a plataforma conta já com três instituições que os utilizadores da plataforma podem optar por apoiar: Centro Social de Santo António, Centro Social de Ermesinde ou os Bombeiros Voluntários de Valadares.