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Portugal pode ter de injetar mais dinheiro na banca

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nuno botelho

Os bancos podem precisar de mais dinheiro público caso as perdas com a venda do Novo Banco se confirmem, diz o Fundo Monetário Internacional. Defende que a limpeza do setor devia ser uma prioridade urgente das autoridades portuguesas. E sugere ainda maior consolidação e cortes de custos

Portugal pode ter de injetar mais dinheiro público na banca caso haja perdas com a venda do Novo Banco, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"As necessidades de recapitalização do maior banco, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), e possíveis perdas com a venda do Novo Banco pode exigir ainda mais injeções de dinheiro público consistentes com a aplicação das regras da União Europeia de ajuda estatal e com a Diretiva de Resolução e Recuperação Bancária", refere o relatório divulgado esta quinta-feira, relativo à avaliação pós-programa e análise do artigo IV realizada em junho passado.

O Novo Banco, uma das maiores preocupações, recebeu em 2014 a injeção de 4.900 milhões de euros do Fundo de Resolução (participado pelas contribuições normais e extraordinários dos bancos portugueses) e está atualmente num processo de venda.

Mas o problema é mais vasto e o Fundo deixa um alerta sério: "Os desafios do sistema bancário devem ser uma prioridade urgente." E vai mais longe. Após o apertado escrutinio durante a passagem da troika por Portugal, o FMI considera que as autoridades portugueses precisam de responder à "necessidade dos bancos de limpar os seus balanços". A receita é "reestruturara a carteira de crédito problemático suportada por um aumento das almofadas de capital dos bancos, provisões e imparidades".

No relatório onde fazem a análise sobre o sector financeiro, o FMI defende que pode ser necessária uma maior consolidação no sistema bancário e cortes com pessoal e redução de balcões.

Na análise do FMI os supervisores bancários (Banco de Portugal e o Banco Central Europeu) - que estão preparados para olhar com mais atenção para as debilidades - serão um importante motor para conduzir estas politicas de reestruturação.

O FMI considera que, neste momento, existe a flexibilidade necessária no âmbito da regulação europeia para responder às questões em curso na CGD e no Novo Banco.