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IGCP deve manter almofada financeira

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O FMI considera-o indispensável para garantir pagamento antecipado do empréstimo face à vulnerabilidade da dívida portuguesa e aos riscos de alteração súbita no sentimento dos mercados

Jorge Nascimeto Rodrigues

A manutenção de uma almofada de liquidez adequada tornou-se uma prioridade, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI) num estudo publicado esta quinta-feira.

A dinâmica da dívida, já de si muito elevada, é “vulnerável mesmo a choques relativamente pequenos” e não são poucos os riscos internos e externos que poderão provocar alterações súbitas do “sentimento do mercado” que provoquem disparo dos juros das obrigações e do prémio de risco dificultando os leilões de dívida.

Por isso, o FMI recomenda à Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) que mantenha a política de almofadas de liquidez em final do ano, o que os responsáveis do IGCP têm designado como “estratégia preventiva” de cobertura por seis meses das necessidades de financiamento do Estado.

Essa almofada é, nomeadamente, importante para garantir o pagamento antecipado planeado da dívida ao FMI. “O compromisso das autoridades [portuguesas] para o pagamento antecipado ao Fundo é bem vindo, desde que a almofada de liquidez adequada possa ser mantida, em virtude dos prémios de risco elevados e dos riscos acentuados”, diz o estudo.

Entretanto, o IGCP, na sua apresentação a investidores em setembro, revelou que reviu em baixa ligeiramente a almofada de liquidez em final de ano – passou de 6,5 mil milhões para 6,4 mil milhões de euros – e reduziu o plano de pagamentos antecipados ao FMI de 6,6 para 4 mil milhões de euros.

Na análise sobre a sustentabilidade da dívida portuguesa, o FMI sublinha que a trajetória "sugere que está sujeita a riscos sigificativos". A sua dinâmica continua "altamente vulnerável a choques adversos", incluindo uma eventual necessidade de mais apoio orçamental ao sector financeiro.