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Yellen: maior risco é a Fed subir as taxas de juro cedo de mais

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Precipitação na subida das taxas de juro do banco central pode gerar uma nova recessão, disse a presidente da Reserva Federal na conferência de imprensa desta quarta-feira no final da reunião de política monetária que decidiu deixar tudo na mesma

Jorge Nascimento Rodrigues

O maior risco não é atrasar a subida das taxas de juro do banco central norte-americano, mas sim aumentá-las cedo de mais. Assim resumiu Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), a estratégia central do mais importante banco central do mundo, que adiou, uma vez mais, a decisão de proceder a uma nova subida das taxas de juro como reclamavam alguns analistas e defenderam três dos 10 membros do comité de política monetária que se reuniu ontem e hoje.

Yellen admitiu, na conferência de imprensa que se seguiu à divulgação da decisão da reunião de política monetária, que há um risco em deixar as taxas de juro em níveis tão baixos por demasiado tempo, mas acrescentou claramente: “Mas o maior risco é aumentar as taxas cedo de mais”. E, esse risco, a maioria da equipa de Yellen na Fed não quer correr: “Poderíamos gerar uma recessão nesse processo – e isso é algo pelo qual eu e os meus colegas não queremos ser responsáveis”.

A presidente da Fed colocou as razões do adiamento da decisão nesse risco e rejeitou qualquer cálculo político nessa posição, favorecendo a atual administração Obama, ou, indiretamente, a candidata presidencial Hillary Clinton, como tem sido alegado pelo outro candidato Donald Trump. “Posso enfatizar que os temas políticos não desempenham qualquer papel no caminho da política monetária. Não discutimos política nas nossas reuniões, e não tomamos em consideração a situação política nas nossas decisões”, respondeu a uma pergunta direta sobre o assunto. Recorde-se que os eleitores norte-americanos vão a votos para o novo presidente a 8 de novembro, alguns dias depois da próxima reunião da Fed.

A presidente da Fed pretende desviar a discussão das razões do adiamento do terreno da conjuntura política para o andamento de um dos pilares fundamentais do crescimento económico, a produtividade.

Crescimento "miserável" da produtividade

Apesar de a redução da taxa de desemprego ter sido notável (de 10% em 2009 para 4,9% em agosto de 2016) e da economia norte-americana estar praticamente no que muitos economistas consideram pleno emprego, com previsões de que a taxa de desemprego se deverá situar perto de 5% até 2019, Yellen recorda que isso está a ocorrer com “projeções para um crescimento [económico] muito lento”.

Além do mais, nas novas projeções agora divulgadas, “foi feita uma revisão em baixa da taxa de crescimento normal de longo prazo, refletindo uma avaliação de que o crescimento da produtividade deverá provavelmente permanecer fraco por um período longo de tempo, ainda que haja a expetativa de que descole do ritmo miserável de 0,5% por ano que observámos nos últimos cinco anos”.

Ora isto tem implicações na taxa de juro: “Crescimento lento da produtividade é um fator que influencia o nível normal de longo prazo das taxas de juro”.

Sublinhou, diversas vezes, que a economia norte-americana não está "sobreaquecida", pelo que a necessidade de uma normalização rápida das taxas de juro não é iminente. A previsão de crescimento para este ano é de 1,8% e foi, agora, revista em baixa duas décimas em relação às projeções de junho. Recorde-se que, no segundo trimestre, o crescimento homólogo foi de 1,1%, revelando uma ligeira aceleração em relação ao crescimento de 0,8% verificado no trimestre anterior.

Depois da divulgação das novas projeções dos membros da Fed apontando para uma subida dos juros ainda este ano, a probabilidade de que isso se concretize na reunião de 13 e 14 de dezembro subiu de 58,7% para 63,4%, com mais de 55% apontando para uma subida de 25 pontos base para um intervalo de 0,5% a 0,75%, segundo os futuros das taxas de juro da Fed seguidos pelo grupo CME. A probabilidade de uma subida já a 1 e 2 de novembro não recolhe mais de 14,5%.

  • O adiamento de uma nova subida das taxas de juro pelo banco central dos Estados Unidos foi bem recebida pelas bolsas de Nova Iorque. Depois de uma trajetória de descida durante a manhã, Wall Street e Nasdaq registaram uma subida clara após a divulgação das decisões da Reserva Federal desta quarta-feira

  • Numa decisão que era esperada pelos mercados financeiros, a reunião da Fed que terminou esta quarta-feira decidiu, uma vez mais, adiar a subida da taxa de juro. Janet Yellen, a presidente do banco central norte-americano, explica-se daqui a meia hora rem Washington