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Reserva Federal não mexe na taxa de juro

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Numa decisão que era esperada pelos mercados financeiros, a reunião da Fed que terminou esta quarta-feira decidiu, uma vez mais, adiar a subida da taxa de juro. Janet Yellen, a presidente do banco central norte-americano, explica-se daqui a meia hora rem Washington

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed) decidiu esta quarta-feira adiar, uma vez mais, a subida da taxa de juro de referência, atualmente no intervalo entre 0,25% e 0,5%. No final de dois dias de reunião, a votação no comité de política monetária (Federal Open Market Committee, FOMC) foi de 7 a favor e 3 contra. A favor de uma subida já, de 25 pontos base no mínimo e no máximo do intervalo, estiveram hoje Esther George, a presidente do ‘banco regional’ da Fed de Kansas City, Loretta Mester, a presidente do de Cleveland, e Eric Rosengreen, o presidente do de Boston.

A decisão divulgada está em linha com as baixas probabilidades apontadas pela maioria dos analistas e implícitas no mercado de futuros das taxas de juro da Fed.

Apesar dos “riscos de curto prazo terem diminuído” na economia dos Estados Unidos e da equipa chefiada por Janet Yellen estar convicta de que a opção por uma subida dos juros “se fortaleceu”, a maioria dos banqueiros centrais em Washington continua a achar que a decisão deve ser adiada, pois precisa de “mais evidência de um progresso continuado em direção aos objetivos [da política monetária]”.

As novas projeções dos banqueiros centrais, divulgadas hoje, indicam que os membros da Fed se inclinam para uma subida ainda até final deste ano. Em junho apontavam para duas subidas. A probabilidade de uma tal decisão ser tomada na reunião de 14 de dezembro, a última do ano, e já depois de se conhecer o vencedor das eleições presidenciais de 8 de novembro, é agora muito elevada. Se se concretizar a mexida em dezembro, ela ocorrerá precisamente um ano depois da Fed ter decidido subir em 25 pontos base o intervalo entre 0% e 0,25% que se mantinha desde dezembro de 2008, em resposta à crise financeira.

Revisões em baixa das previsões

Nas mesmas projeções, os aumentos graduais das taxas de juro nos próximos anos revelam-se ainda mais lentos do que as previsões em junho. A Fed cortou em uma décima a sua previsão de taxa de juro de longo prazo, de 3% para 2,9%. Nas projeções das taxas de juro para final de cada ano no período analisado, entre 2016 e 2018, os cortes são mais acentuados em relação à análise de junho: de 0,9% para 0,6% em 2016; de 1,6% para 1,1% em 2017; de 2,4% para 1,9% em 2018; e uma projeção nova de 2,6% para 2019.

No quadro macroeconómico, as novas projeções reviram em baixa o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação para 2016, o que é significativo. Em junho, a previsão para a subida do PIB este ano era de 2%; agora, desceu para 1,8%. A projeção de inflação anual desceu ligeiramente de 1,4% para 1,3%. O que significa que a inflação continua longe da meta oficial da política monetária (2%) e que a economia norte-americana não está "sobreaquecida".

Em relação ao longo prazo, as novas projeções corrigiram em baixa a taxa de crescimento do PIB de 2% para 1,8%, e deixaram inalterada a previsão de 2% para a inflação, de acordo com a meta oficial da Fed.

  • Na reunião que terminou esta quarta-feira, a equipa de Haruhiko Kuroda avançou com o controlo do nível de juros das obrigações nipónicas de longo prazo. Pretende mantê-lo perto de 0%. E pretende a médio prazo ultrapassar a meta de inflação de 2%

  • As bolsas de Nova Iorque abriram esta quarta-feira com os principais índices a registarem ganhos. O índice Eurostoxx 50, da zona euro, avança 0,7%. Investidores receberam positivamente novas medidas de estímulos do Banco do Japão e maioria não espera que a Fed suba as taxas de juro na reunião de hoje