Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BPI. À terceira será de vez

  • 333

Rui Duarte Silva

Os acionistas do BPI regressam esta quarta feira a Serralves com a desblindagem dos estatutos na agenda. A CMVM suspendeu a negociação das ações do banco até que surjam novidades

Dois meses e duas sessões depois, os acionistas do BPI voltam esta quarta-feira de manhã ao auditório de Serralves, no Porto. À terceira tentativa parece que será de vez. A Assembleia Geral (AG) de acionistas deve aprovar o fim dos limites de voto a 20% do capital, permitindo que a Oferta Pública de Aquisição (OPA) do CaixaBank siga o seu caminho, depois do tratado de paz firmado entre os acionistas.

A CMVM anunciou, entretanto, a suspensão da negociação das ações do banco "até á divulgação de informação relevante". Novidades só depois da AG, que não promete ser demorada.

Na Bolsa de Lisboa, as ações do BPI fecharam na sessão de terça-feira a 1,091 euros, ligeiramente abaixo do preço da OPA (1,113).

Evitar a catástrofe

Depois da entrevista da Tiago Violas à Antena 1 e “Jornal de Negócios”, dando conta de que a família Violas Ferreira desistia de lutar e chegara a altura do entendimento, ficou claro que as hostilidades ficavam encerradas. “Nunca foi nossa intenção provocar uma catástrofe no banco e sempre estivemos disponíveis para uma solução favorável a todas as partes”, reafirmaria ao Expresso Edgar Ferreira, reforçando as palavras do filho. "As consequências podem ser nefastas para o banco e não é isso que nenhum dos actores pretende, muitíssimo menos nós", dissera Tiago.

Solução em Angola

Mas o BPI, que controla o BFA (50,1%), está pressionado pela imposição do BCE de reduzir a exposição a Angola. No caso angolano, o acordo recupera uma solução que já Isabel dos Santos, acionista do BPI e parceira no BFA, avançara.

A administração do BPI anunciou na terça-feira que enviou à Unitel, de Isabel dos Santos, uma proposta para a venda de 2% do BFA por 28 milhões de euros, cedendo o controlo e tornando-se acionista minoritário.

No início de 2016, Isabel dos Santos oferecera 140 milhões por 10% do BFA. A avaliação é, portanto, a mesma. A oferta, na altura, foi recusada. A proposta do BPI só é válida se desblindagem dos estatutos passar. A Unitel é dona de 49,9% do BFA

Esfolar o rabo

A família Violas Ferreira aceita retirar a providência cautelar que impedia a votação da proposta de desblindagem apresentada pelo Conselho de Administração. Mas esta terça-feira à noite o assunto não estava ainda resolvido. "O rabo é sempre a parte mais difícil de esfolar", comentava ao Expresso uma fonte ligada ao processo. Os procedimentos e justificações para retirar a providência do circuito judicial não estariam ainda concluídos. Uma dose de suspense, apesar da convicção generalizada de que o caso teria esta quarta-feira um final feliz.

A proposta de desblindagem do CA surge no âmbito da nova lei produzida pelo Governo sobre sociedades cotadas. Nesta proposta, a aprovação precisa de dois terços dos votos e cada acionista vota com a plenitude da sua posição.

É uma regra que faz toda a diferença por causa da participação do CaixaBank (46%), estar até agora confinada ao limite de 20% de direitos de voto. A desblindagem é o único ponto da ordem de trabalhos e conta também com uma proposta apresentada pela família Violas. Mas, se a do CA será votada em primeiro lugar se for aprovada a outra fica prejudicada.

Casa cheia em Serralves

A embrulhada acionista no BPI teve o condão de conduzir a um recorde histórico de participação. Na última sessão de 6 de setembro, participaram 499 acionistas, representado 88% do capital. Esta quarta-feira o auditório de Serralves voltará a ter casa cheia.