Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BPI: finalmente há desblindagem

  • 333

Rui Duarte Silva

Os acionistas aprovaram em assembleia geral o fim dos limites de voto no banco. OPA do Caixa Bank espanhol pode avançar

Finalmente há desblindagem no BPI. Os acionistas do banco aprovaram esta manhã a desblindagem dos estatutos, terminando com o limite de voto a 20% do capital. A Santoro de Isabel dos Santos absteve-se, levando a que a desblindagem fosse aprovada por uma maioria confortável.

A decisão permite que a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada em abril pelo CaixaBank a 1,113 euros por ação siga o seu caminho, encerrando um ciclo atribulado na vida do banco.

A chave para alcançar a paz esteve na concertação de vontades entre o CaixaBank (46%) e a Santoro, o segundo maior acionista (18,5%).

Coligação CaixaBank/Isabel dos Santos

A abstenção da Santoro seria suficiente para aprovar a desblindagem, mesmo na situação adversa dos atuais estatutos que exige uma maioria de 75% e os acionistas votam com os direitos limitados a 20%. A Allianz (8,4%) sempre alinhara ao lado do banco catalão, a favor da desblindagem

Para superar o impasse em Angola, o CaixaBank e Isabel dos Santos acertaram uma solução que recupera uma proposta da empresária angolana. O BPI cede 2% do BFA à Unitel, em troca de 28 milhões de euros. Um pequeno lote que tem o condão de ceder o controlo do BFA à Unitel. Era difícil uma transferência de controlo por um preço tão baixo. O preço segue o critério que levara, no início do ano, a Unitel a oferecer 140 milhões por 10% do BFA.

Esta assembleia geral, iniciada a 22 de julho, fora suspensa por duas vezes e não admitia mais adiamentos. Se o ponto da desblindagem não fosse aprovado, teria de ser convocada uma nova reunião.

Estes sucessivos adiamentos desagradavam ao Banco Central Europeu, pressionando uma solução rápida por causa da exposição a Angola. As suspensões decorreram de uma providência cautelar da família Violas Ferreira, o maior acionista português do BPI com 2,7%, que recorrera ao circuito judicial para impedir a desblindagem e o avanço da OPA. Mas também o grupo Violas abdicou da litigância para evitar "consequências nefastas" para o banco e subscreveu o tratado de paz acionista.