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Governo reorganiza Portugal Ventures

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Organismo público deixa de estar apenas focado no capital de risco e assume também a missão de ser a “agência nacional para o empreendedorismo”. Celso Guedes de Carvalho, o novo CEO da Portugal Ventures, promete mantê-la “pró-ativa” na geração de propostas de investimento e continuar a honrar os compromissos já assumidos com as startups participadas

O Governo está a redesenhar o ecossistema empreendedor português. Lançou a Startup Portugal, que esta semana apresentará, no “Road 2 Websummit”, 66 startups que vão representar Portugal no Web Summit. E está a reformular a missão da Portugal Ventures (PV). Na edição deste fim-de-semana, o Expresso revela o plano: agora, além de sociedade gestora de capital de risco, a Portugal Ventures (PV) passará a ser também a agência nacional de empreendedorismo. “Uma espécie de IAPMEI para jovens empresas”, afirma João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria.

“Uma capital de risco pública tem a obrigação de contribuir para o ecossistema, de fomentar a criação de mais startups, de mais incubadoras, de mais mentores”, adianta, e por isso o Governo decidiu que a PV fica responsável pela Startup Portugal, apresentada como a estratégia nacional para o empreendedorismo.

O Expresso sabe que esta redefinição que o Executivo tem em curso está a gerar ruído e algumas dúvidas no ecossistema empreendedor. Inclusive dentro da Portugal Ventures. Fontes próximas do processo relatam que, desde o verão, já saíram quatro colaboradores daquele organismo, entre eles uma vogal do conselho de administração (Teresa Fernandes), o diretor de investimento com o pelouro do Turismo (António Carvalho), o responsável pelos investimentos na área das tecnologias (Marcos Osório) e uma analista de investimentos (Teresa Grijó).

Celso Guedes de Carvalho confirma a saída de dois colaboradores, “por vontade própria” e avança estar a “trabalhar no sentido de encontrar as soluções mais adequadas para colmatar estas saídas”.

O CEO da PV não reconhece que a entidade esteja em processo de reorganização, mas admite ser “natural que as as organizações se adaptem ao mercado e evoluam de acordo com o desenvolvimento das suas competências e do seu estágio de maturidade”, afirma, adiantando que “recentemente o conselho de administração da empresa iniciou um processo consultivo junto de todos os colaboradores com o intuito de identificar e avaliar diversas propostas de otimização operacional”.

Do lado das startups participadas, de acordo com as fontes ouvidas pelo Expresso, há empreendedores que mostram preocupação em relação ao futuro do seu acionista. Celso Guedes de Carvalho, o CEO da PV (que substituiu Marco Fernandes), garante que a PV continuará a atuar de forma pró-ativa na geração de deal flow (propostas de investimento). E que “qualquer eventual otimização organizacional que possa vir a verificar-se nunca irá impactar na sua capacidade de honrar os compromissos assumidos com as nossas empresas participadas”. Em concreto, assegura que “não houve alteração ao processo definido pela Portugal Ventures para a libertação de tranches de investimento, efetuadas de acordo com as condições contratualizadas e com a avaliação efetuada pelas equipas de investimento ao cumprimento das milestones (marcos) estabelecidas. Também não se verificaram atrasos na sua disponibilização às startups”.

O CEO da Portugal Ventures sublinha, aliás, que a Portugal Ventures manteve em 2016 a sua estratégia de investimento em startups, tendo efetuado investimentos em 32 empresas este ano. “Ainda na semana passada foi noticiado o nosso coinvestimento na Defined Crowd com a Sony Innovation Fund e da Amazon Alexa Fund”, destaca. A expectativa, acrescenta, é que haja “um reforço do investimento até final do corrente ano, resultante do número de projetos já em fase de contratação”.

Celso Guedes de Carvalho, que anteriormente dirigia a Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro, diz que ainda se verifica uma falha de mercado em projetos numa fase em que o risco é percebido como demasiado elevado para os investidores privados e que é nesse sentido que a Portugal Ventures vai continuar a atuar: como “organismo responsável pelo investimento público de capital de risco”.