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Chineses vão ficar a mandar na dona do “DN”

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Antigo edifício do "Diário de Notícias"

Gonçalo Rosa da Silva

Reuniões nos últimos dias deixam negócio encaminhado. Aumento de capital deve avançar em 2017

O grupo chinês KNJ Investment Limited, sediado em Macau — e liderado pelo empresário Kevin Ho, sobrinho do ex-chefe do Executivo em Macau, Edmund Ho — está a preparar-se para assumir o estatuto de maior acionista do grupo Global Media, proprietário de meios como “JN”, “DN” e TSF.

Segundo apurou o Expresso, a operação deverá ser formalizada nos próximos meses, provavelmente já em 2017, e será concretizada através de um aumento de capital e da compra de pequenas parcelas (2,5%) das participações de 15% atualmente detidas no grupo pelo BCP e pelo Novo Banco.

O aumento de capital será subscrito na íntegra pelos investidores chineses e as fontes ouvidas pelo Expresso apontam para que no fim desse processo a KNJ fique com uma participação de cerca de 30% do capital da Global Media, mediante um investimento entre os €15 milhões e os €20 milhões. O restante capital atualmente detido por António Mosquito (27,5%), Joaquim Oliveira (27,5%) e Luís Montez (15%) será reduzido na mesma proporção, para valores na ordem dos 20% e 10%, respetivamente.

Os patamares definitivos das participações — bem como o montante a investir pela KNJ no aumento de capital — estão ainda dependentes de uma avaliação que o BCP está a fazer, para estabelecer a atual valorização da Global Media. Isto depois do processo de reestruturação de que a empresa foi alvo desde que Mosquito e Montez entraram, em 2014, no capital do grupo até então detido a 100% por Oliveira.

Contactado pelo Expresso, o jornalista e fundador da Plataforma Macau, Paulo Rego — que está a mediar as negociações entre a KNJ e a Global Media — considerou “prematuro” antecipar cenários sobre os moldes concretos do negócio. “Se avançar, a operação será feita através de um aumento de capital. Mas não temos modelos fechados, nem estamos a impor nada”, disse, recusando confirmar que o entendimento entre as duas partes prevê que a KNJ passe a ser a maior acionista da dona do “DN”.

Sobre as reuniões que os investidores chineses mantiveram com Proença de Carvalho, presidente não-executivo da Global, com os acionistas e com a administração, Paulo Rego confirmou que “correram bem” e que permitiram “compatibilizar interesses”. “Demonstrámos interesse e depois viemos a Lisboa conhecer as pessoas e a realidade da empresa. E confirmámos que a Global está a evoluir favoravelmente do ponto de vista financeiro”, resumiu.

A Global Media prevê fechar o ano com um EBITDA positivo na ordem dos €200 mil, quando em 2014 este indicador se situou nos €8 milhões negativos. O passivo, que em 2014 superava os €50 milhões, deverá rondar agora os €40 milhões, sendo que a esse valor será ainda deduzida parte da verba encaixada com a venda do edifício do “DN” na Avenida da Liberdade, em Lisboa, por cerca de €20 milhões.

Sobre o futuro do grupo em mãos chinesas, Paulo Rego adiantou apenas que o objetivo é apostar na “modernização tecnológica” da empresa, em “novos negócios digitais” e na “internacionalização para mercados lusófonos”.