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S&P mantém rating de Portugal em ‘lixo’ e perspetiva ‘estável’

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A agência de rating Standard & Poor's manteve a avaliação da dívida da República Portuguesa em 'lixo', com perspetiva 'estável'. Prevê que a recuperação da economia portuguesa desacelere este ano. Mas vê o governo a permanecer comprometido com políticas que suportem uma maior consolidação orçamental.

A Standard & Poor's (S&P) manteve o rating da dívida portuguesa em BB+, com perspetiva 'estável', antevendo um cenário de desaceleração da recuperação da economia mas com o governo comprometido com políticas que suportam um maior equilíbrio das contas públicas.

"Acreditamos que a recuperação da economia portuguesa vai desacelerar em 2016, sobretudo devido a um abrandamento das exportações e do investimento, que reflete os desafios dos bancos portugueses", refere num relatório sobre a Portugal divulgado esta sexta-feira.

A agência de rating prevê um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) português de 1,2% este ano. Quanto ao défice público, estima que desça para 2,8% do PIB em 2016 de 3,2% em 2015.

"A perspetiva 'estável' equilibra as nossas projeções de uma consolidação orçamental gradual nos próximos dois anos face aos riscos de um ambiente de crescimento externo mais fraco, uma redução mais prolongada do endividamento do setor privado, riscos no setor financeiro e potenciais desvios nas políticas económica e orçamental", afirma a S&P.

Os investidores aguardavam com expectativa o anúncio da S&P sobre Portugal, encarado como um barómetro do que poderá ser a decisão da DBRS acerca do rating de Portugal.

A agência canadiana é a única a manter Portugal acima do rating de 'lixo', permitindo que a dívida portuguesa sirva como colateral no financiamento dos bancos junto do Banco Central Europeu e também que possa ser elegível para o programa de compras do banco central.

A DBRS faz a sua revisão do rating do país a 21 de outubro.

A dívida portuguesa tem estado sob forte pressão vendedora no mercado secundário e na última quinta-feira registou mesmo a maior subida dos juros da maturidade a 10 anos desde o Brexit, a 24 de junho. Os juros chegaram a superar os 3,5%, segundo dados da Reuters.

O risco também disparou. O custo de financiar dívida portuguesa face à alemã atingiu esta sexta-feira o valor mais alto dos últimos sete meses.

A S&P aponta que poderá baixar o rating da dívida portuguesa se houver "um continuado acentuado enfraquecimento do crescimento económico" ou "se o governo adotar políticas que possam prejudicar o acesso de Portugal aos mercados financeiros internacionais".

Outra condição que poderia levar a uma redução do rating seria se "a posição orçamental do governo se desviasse consideravelmente" das expectativas da S&P ou "se houvesse uma reversão do ajustamento externo de Portugal".

Por outro lado, a S&P poderá melhor o rating da dívida portuguesa se houver uma acentuada melhoria nas perspetivas de crescimento da economia, uma consolidação orçamental que reduza a dívida pública líquida para abaixo dos 100% do PIB e uma aceleração da redução do endividamento do setor privado.