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Quem tem medo da S&P?

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reuters

A agência de rating Standard & Poor’s revê esta sexta-feira o rating da República Portuguesa. Aconteça o que acontecer, será um prelúdio para a decisão mais aguardada: a da DBRS, em outubro

A 18 de março deste ano, a Standard & Poor's (S&P)reafirmou o seu rating de Portugal em território de ‘lixo’ ( BB+), com perspetiva (outlook) ‘estável’. Esta sexta-feira, ao fim da tarde, poderá alterar a sua perspetiva para ‘negativo’. Ou, então, pode nem dizer nada. Seja como for, no mercado, um eventual anúncio é aguardado com alguma expectativa. As condições de financiamento do país têm vindo a deteriorar-se. Quarta-feira, o leilão de Obrigações do Tesouro (OT) registou um aumento do custo de financiamento e o montante colocado foi o mínimo previsto no intervalo anunciado (750 mil a 1.000 milhões de euros).

Ainda assim, a Moddy’s, outra das três principais agências de rating mundiais, anunciou esta semana que considera que o risco de Portugal ter de pedir um segundo resgate financeiro “é baixo”. A divulgação deste relatório surge depois de a agência ter mantido a sua visão para o país.

Algumas casas de investimento, como o Commerzbank, apontam que a S&P pode rever em baixa a perspetiva de Portugal. Mas Cristina Casalinho, presidente do IGCP, Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, não está preocupada.
“A Moody’s e a S&P têm um pensamento alinhado e não me parece que haja alterações por parte da S&P”, diz Cristina Casalinho ao Expresso.

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Mas alguns analistas estão cautelosos. “Não há expectativas de alteração de rating por parte da S&P já para esta sexta-feira, embora existam sempre temas que podem afetar a avaliação da agência”, afirma José Lagarto, gestor de ativos da Orey Financial.

Na última nota da agência, em março, a S&P baseava a classificação de Portugal no facto de esperar uma recuperação moderada da economia portuguesa em 2016, depois de dois anos de crescimento. Na altura, sublinhou que o governo deveria continuar comprometido com políticas que suportam uma maior consolidação orçamental.

A dívida portuguesa está classificada como ‘lixo’ pelas três principais agências mundiais (S&P, Moody’s e Fitch). Além destas, a DBRS é a quarta agência considerada pelo Banco Central Europeu (BCE) para efeitos de a dívida portuguesa ser aceite como colateral no fornecimento de liquidez aos bancos e também ser aceite no programa de compras de ativos do BCE.

A DBRS é a única que tem Portugal com um rating de ‘grau de investimento’. A pequena agência canadiana tem agendada uma análise sobre Portugal para 21 de outubro.

Ao Expresso, a principal analista da DBRS para Portugal, Adriana Alvarado, afirmou esta semana que uma alteração da sua visão acerca do país está dependente do Governo e do seu compromisso com o Pacto de estabilidade e Crescimento. Por isso, a agência vai estar atenta ao projeto de Orçamento do Estado para 2017 e ao relatório que será submetido à Comissão Europeia relativo ao Procedimento de Défices Excessivos.

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“Uma confirmação da perspetiva ‘estável’ é provavelmente o melhor que pode acontecer a Portugal, já que vemos o risco de haver uma perspetiva ‘negativa’”, refere o Commerzbank numa análise. “Não tendo um impacto direto (nos juros da dívida), os receios dos investidores acerca do que a DBRS vai fazer a 21 de outubro podem aumentar”.

Para João Lagarto, da Orey Financial, “caso os pressupostos que levaram a DBRS a manter o rating de investment grade se mantenham, não há qualquer motivo para esperarmos uma alteração”.

Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos subiam esta quinta-feira para 3,422%, segundo a Bloomberg (15h).

O mercado tem assistido em geral a uma subida dos juros da dívida, incluindo da alemã e da norte-americana, vistas como refúgio dos investidores. Os bund alemães deixaram de estar com taxas em níveis negativos. Um reflexo dos receios dos investidores em relação a uma moderação de políticas por parte dos bancos centrais, com a Reserva Federal a poder voltar a subir este anos as taxas de juro de referência nos Estados Unidos.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português estão em alta em todos os prazos desde o anúncio da decisão do Banco Central Europeu de não mexer na política monetária na reunião desta quinta-feira. Juros a 10 anos, perto de 3,1%, regressaram a níveis de 20 de julho