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Portugal está no centro das atenções nos mercados. E isso não é bom

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Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos não param de subir no mercado secundário. O risco da República dispara. Ontem foi o pior dia para a dívida portuguesa desde o Brexit. Esta sexta-feira a S&P tem agendado um relatório sobre Portugal.

O custo de financiamento de Portugal face à Alemanha está no nível mais alto desde fevereiro devido ao aumento do nervosismo dos investidores que aguardam análises por parte de agências de rating.

Já ontem os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos registaram a maior subida desde o Brexit, a 24 de junho deste ano, avançando 17 pontos base. Nesta sexta-feira estiveram a disparar mais de 10 pontos base, ultrapassando os 3,5%, segundo dados da Reuters.

Esta sexta-feira é esperado um relatório da Standard & Poor's sobre Portugal. A agência um rating de BB+ atribuído à República, com perspetiva 'estável'.

Mas comentários negativos sobre a situação macroeconómica de Portugal podem ser mal recebidos pelos investidores.

A análise da S&P é encarada como um prelúdio para a revisão de rating da DBRS prevista para 21 de outubro. A agência canadiana é uma das quatro agências consideradas pelo Banco Central Europeu que tem um rating de 'investment grade' atribuído a Portugal.

"Os receios dos investidores em relação à revisão da DBRS podem aumentar", refere uma análise do Commerzbank.

A maioria dos juros da dívida dos restantes países da zona euro estão em queda nesta sexta-feira.

O diferencial entre os juros da dívida portuguesa e da alemanhã atingiu os 352 pontos base, o nível mais elevado desde a onda de vendas de fevereiro deste ano.

Se Portugal perder o rating da DBRS, a dívida soberana deixa de ser elegível como colateral nos empréstimos do BCE aos bancos e deixa também de poder fazer parte do programa de compra de ativos do banco central.

A especulação em torno de um segundo resgate financeiro tem aumentado mas a Moody's refereiu esta semana que considera que esse risco "é baixo".