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Famalicão lança Centro de Competências do Agroalimentar

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Tem dimensão nacional e vocação internacional, cruza competências com os têxteis e quer ser polinuclear. Tudo pensado para existir sem precisar de uma infraestrutura física

A Câmara Municipal de Famalicão fez as contas e descobriu que o terceiro concelho mais exportador do país tem tudo para apresentar um "cluster agroalimentar", com um volume de negócios de 500 milhões de euros e cinco mil postos de trabalho no sector das carnes, mas também noutras áreas, como as bolachas ou produtos agrícolas. Por isso decidiu criar um Centro de Competências "com dimensão nacional" e "vocação internacional" que tem como missão potenciar o aumento da competitividade e inovação das empresas da fileira.

A autarquia, presidida por Paulo Cunha, assumiu a liderança do projeto decidida a fazer "um centro de competências que seja uma lição para o país ao nivel do aproveitamento de recursos e das sinergias institucionais geradas" de acordo com um "conceito polinuclear" que não passa pela criação de uma nova infraestrutura, mas aposta em aproveitar "a capacidade instalada em empresas. universidades e centros de investigação", entre outros.

Nesta fase de arranque, o primeiro passo foi a formalização de um protocolo de cooperação e criação do centro de competências com 13 entidades, do ensino aos têxteis, onde está um dos pilares industriais e exportadores de Famalicão, mas aberto desde já à entrada de novos membros porque o objetivo é aproveitar a capacidade instalada ao nível da produção, investigação e inovação.

"O Centro de Competências pode ter uma valência numa universidade, outra valência numa empresa e outra valência ainda num centro de investigação porque cada uma destas entidades tem um aporte que pode colocar ao seu serviço", explica Paulo Cunha.

E, desta forma, o financiamento que vier a ser conseguido para o projeto através de dinheiros públicos nacionais ou fundos comunitários será canalizado diretamente para a atividade de Investigação e Desenvolvimento e não para a construção de uma infraestrutura física.

Colocar o foco nas carnes

O foco principal estará nas carnes, onde Famalicão acredita poder distinguir-se a nível nacional, mas o objetivo é cobrir outras áreas. "Não existe concelho em Portugal que tenha tão grande e qualificada concentração de empresários no sector das carnes. Temos um know how empresarial único no país e empresas altamente competitivas e com vocação exportadora", justitfica o autarca.

O concelho, que vale 10% das exportações têxteis portuguesas e 3,8% das exportações nacionais, tem no sector das carnes empresas como a Primor, um grupo familiar liderado por Pedro Joaquim Moreira Pinto, com um negócio centrado na charcutaria que emprega mais de 900 pessoas, fatura 172 milhões, chega a 30 mercados, de Espanha ao Japão, e reúne no seu portfólio de 150 referências. Mas pontua no agroalimentar com outras unidades de referência como é o caso da Vieira de Castro, empresa fundada em 1943, a partir de uma pequena confeitaria, e que hoje é o maior frabricante português de bolachas e líder nacional em alguns produtos alimentares com destaque para as marcas Vieira e Aliança.

Em terceiro lugar no ranking dos concelhos mais exportadores do país, atrás de Lisboa e Palmela, Famalicão fechou 2015 com exportações de 1,88 mil milhões de euros, mais 8,6% do que no ano anterior. No saldo da balança comercial, o concelho tem a medalha de prata, com um saldo de 804 milhões, só batido por Setúbal.

Com a Câmara de Famalicão, assinaram o protocolo de cooperação para a criação do novo centro de competências, a AICEP, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade do Minho, Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, Universidade Lusíada Norte, CESPU - Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário, CITEVE - Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, CeNTI - Centro de Nanotecnologia, Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, CONFAGRI - Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola, FPAS - Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, PortugalFoods, INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e ADRAVE - Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave.