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Banif. Lesados querem fazer participação ao Ministério Público

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José Sena Goulão/Lusa

Presidente da Associação dos Lesados do Banif diz que a resolução que foi encontrada para o banco é um “circo” e que o “Estado tem de assumir as suas responsabilidades”

O presidente da Associação dos Lesados do Banif (ALBOA), Jacinto Silva, anunciou esta sexta-feira a intenção de fazer uma participação ao Ministério Público para que seja aberto um processo de investigação sobre a falência do banco.

O anúncio foi feito aos jornalistas, em Lisboa, durante uma manifestação promovida pela associação, que reuniu algumas dezenas de lesados que começaram a manifestar-se junto à Praça do Comércio e percorram as ruas da baixa lisboeta para protestarem em frente a agências do Santander Totta (que comprou parte da atividade bancária do Banif) e instalações do Banco de Portugal.

"Temos indícios, que vamos participar ao Ministério Público. Queremos saber por que razão não houve uma assembleia de acionistas antes da resolução do Banif? E porque razão não se abriu um concurso público?", afirmou Jacinto Silva, criticando ainda a falta de "seriedade" de o Banco de Portugal ao "ter dado 24 horas" para ser apresentada uma proposta de compra do banco.

"Estes comportamentos não são admissíveis. Exigimos um esclarecimento, para apurar os responsáveis/ladrões. Não vamos desistir enquanto não se apurar a verdade. O Estado tem de assumir as suas responsabilidades", acrescentou.
A associação lembrou que passaram oito meses desde a resolução do Banif e que até hoje não se sabe quem foram os responsáveis pela resolução do banco.

"Esta resolução foi um circo, por isso estamos [os manifestantes] com narizes vermelhos de palhaço", explicou.

O protesto desta sexta-feira foi a primeira manifestação dos lesados do Banif a nível nacional, uma vez que as anteriores ocorreram nas ilhas dos Açores e da Madeira.

A 20 de dezembro do ano passado, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não quis comprar.

Continua a existir ainda o Banif, agora 'banco mau', onde ficaram os acionistas e os obrigacionistas subordinados, que provavelmente nunca receberão o dinheiro investido.

Além de vários protestos para dar a conhecer a sua indignação com o que se passou no Banif, a ALBOA anunciou este mês que vai avançar com uma ação judicial contra a TVI, que avançou em dezembro de 2015 com a notícia do encerramento do banco.