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Moody’s: risco de Portugal precisar de segundo resgate “é baixo”

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Ana Baião

A agência de rating frisa que a posição de financiamento do país é “muito confortável"

O risco de Portugal precisar de um segundo resgate é baixo, apesar de não poder ser completamente descartado, diz Kathrin Muehlbronner, vice-presidente sénior da Moody’s.

“O risco é baixo. A posição de financiamento de Portugal é confortável”, diz a analista num relatório sobre Portugal, na sequência dos mais recentes desenvolvimentos,, divulgado esta terça-feira.

A agência reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa. A Moody’s espera agora que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça “entre 1% e 1,5% na melhor das hipóteses, nos próximos anos”. Quanto ao défice, espera que estabilize abaixo dos 3% do PIB, na casa dos 2,7% em 2016 e 2017.

Avisa o Orçamento do estado para 2017 deverá ser aprovado mas deverá ficar aquém das metas acordadas com a Comissão Europeia.

“Portugal voltou a estar no centro das atenções nos últimos meses devido a receios em torno do fraco crescimento económico e incertezas sobre o custo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos”, afirma.

“Apesar da perspetiva permanecer estável, o enfraquecimento da economia portuguesa e o aumento dos riscos para a trajetória da sua dívida estão a pressionar a sua credibilidade de crédito”, diz a mesma analista.

A Moody’s avisa ainda que a dívida deverá subir este ano, face aos níveis já elevados de 129% em 2015.

Segundo a agência, a combinação de um crescimento económico fraco, um nível elevado de dívida e riscos orçamentais altos têm sido os grandes fatores de pressão sobre os ratings do país. "Contudo, desde o início deste ano, a perspetiva económica ficou ainda mais moderada".

E salienta que "é cada vez mais claro que as reformas estruturas implementadas durante os três anos de programa de ajustamento não levaram a uma melhoria do potencial de crescimento do país". "Contudo, vemos pouco ímpeto político para mais reformas".

Banca é um risco

Segundo a Moody’s, o acordo com a Comissão Europeia para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não muda a perspetiva da agência de que o sistema bancário é um risco para o país.

“O setor da banca vai ser um risco para o Estado enquanto estiver fracamente capitalizado”, refere Moehlbronner no mesmo relatório.

“Vários investidores estrangeiros estão atualmente a considerar comprar posições em bancos portugueses mas está longe de ser certo se esses investimentos se vão materializar”.

O BPI está sob uma Oferta Pública de Aquisição por parte do seu maior acionista, o espanhol CaixaBank, a Fosun pretende entrar no capital do BCP e o Novo Banco está num processo de venda.

Isto porque subsistem variados riscos desde legais a questões de corporate governance. E no caso da recapitalização da CGD, “ainda precisa de ultrapassar vários obstcáculos”.