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Centeno reage à agência de rating ARC: " Portugal está no bom caminho"

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"Os riscos económicos e políticos referidos pela agência têm vindo a ser ultrapassados com sucesso, diz Mário Centeno, em comunicado

A ARC Ratings, agência de notação financeira, anunciou esta segunda-feira que mantém a nota atribuída a Portugal em 'BBB-', um nível apenas acima de 'lixo'. Contudo, piorou a perspetiva de 'estável' para 'negativa', refletindo receios quanto ao fraco crescimento da economia portuguesa, num contexto de dívida elevada. Mário Centeno, ministro das Finanças, já reagiu a esta posição sobre o rating da dívida portuguesa. "Os riscos económicos e políticos referidos pela agência têm vindo a ser ultrapassados com sucesso, nomeadamente com a boa execução orçamental verificada desde o início do ano e com as medidas de apoio ao investimento. Portugal está no bom caminho para o cumprimento do objetivo definido pela Comissão Europeia que retira o país do Procedimento por Défices Excessivos", afirma o ministro, em comunicado enviado às redações.

Na sua nota, a ARC Ratings, a antiga Companhia Portuguesa de Rating, referiu "preocupações quanto à qualidade do crescimento da economia portuguesa, que está muito centrada no consumo privado, em vez do investimento". A esta apreensão, Centeno responde com otimismo: "Relativamente ao investimento, a tendência de longo prazo de desaceleração, é comum à generalidade dos países desenvolvidos, não sendo específica de Portugal. Os indicadores de atividade e de confiança melhoraram face ao final do ano passado o que reforça as perspetivas otimistas para o segundo semestre de 2016."

O ministro das Finanças explica que o crescimento, no primeiro semestre deste ano, "foi muito afetado por condicionantes externas, particularmente o abrandamento da economia dos mercados emergentes (afetando particularmente as exportações para Angola)". Todavia, aponta para os "já visíveis sinais de aceleração", neste segundo semestre de 2016, "em que as componentes mais dinâmicas da procura foram as exportações e o investimento".

A ACR Ratings expressa também as suas preocupações com o sector bancário, cuja restruturação está a ser “lenta e a custar mais do que o esperado”, e pela exposição que tem à dívida soberana portuguesa. Mário Centeno contrapõe com a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. Segundo o governante, esta operação "revela a firme decisão do Governo de avançar com um plano definitivo de estabilização do setor financeiro que terá um papel fundamental no investimento e no crescimento económico".

Centeno lembra que, neste momento, está a ser preparado o Orçamento Estado para 2017. "Um Orçamento responsável que favorece o crescimento económico e a criação de emprego e que, simultaneamente, reitera o rigor na execução orçamental", afirma.

A ARC volta a pronunciar-se sobre o rating atribuído a Portugal a 3 de março de 2017. Em comunicado, explica que se o crescimento da economia portuguesa ficar abaixo de 1% e o défice acima de 3%, o rating descerá para "lixo".

A avaliação da ARC e a reação de Mário Centeno antecipam o relatório sobre Portugal que a Standard & Poor's (S&P) tem agendada para esta sexta-feira, dia 16. Alguns analistas apontam para que a S&P possa rever a perspetiva para "negativa". Atualmente, a S&P tem um rating para Portugal de 'BB+', nível "lixo", com perspetiva "estável".

Mas o relatório mais importante para Portugal será publicado a 21 de outubro, pela DBRS, uma das quatro agências aceites pelo Banco Central Europeu (com a S&P, Fitch, Moody's) e a única que tem um rating para o país acima de "lixo".