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Centeno diz que fará tudo para evitar segundo resgate. “É a minha principal tarefa”

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FOTO Luis Barra

À margem da reunião do Ecofin, ministro das Finanças falou à CNBC e assegurou que as políticas portuguesas se estão a ajustar às metas e expectativas europeias. Por isso não será necessário novo resgate, afiançou

A jornalista da CNBC perguntou e Mário Centeno respondeu, com segurança. "Vai fazer tudo o que for necessário para evitar que Portugal tenha um segundo resgaste?", foi a questão. "É a minha principal tarefa. O compromisso que temos na frente orçamental e na redução da despesa pública vai precisamente nessa direção", respondeu o ministro das Finanças, citado pela estação televisiva norte-americana.

A garantia de que tudo fará para evitar um novo programa de assistência financeira foi dada por Centeno, durante o fim de semana, à margem do encontro do Ecofin, o conselho de ministros das Finanças da zona euro, em Bratislava. Numa curta intervenção, o governante quis dar garantias de segurança aos investidores, dias antes da nova emissão de dívida, que acontece já esta quarta-feira, e da nova avaliação do rating por parte da Standard & Poor's, na próxima sexta-feira. A agência mantém a avaliação da dívida portuguesa em "lixo".

"Estamos a fazer esforços para estabilizar o sistema financeiro, pois é crucial para o investimento e para a economia crescer", reforçou Mário Centeno, que quis afastar os fantasmas de um novo resgate e sublinhar que o objetivo é recuperar a economia sem austeridade excessiva. "Trata-se de um conjunto muito mais variado de medidas que estamos a aplicar", garantiu o ministro das Finanças, fazendo uma comparação com o programa de austeridade do anterior Governo liderado por Passos Coelho.

O ministro considera que é "apenas parcialmente verdade" que a política do Governo português assente só no estímulo ao consumo. "Há um foco substancial na recuperação de rendimentos, principalmente para as famílias", mas o Governo está também "a direcionar a sua política para as empresas e para o investimento", afirmou. "Temos um programa muito ambicioso que visa ajudar a recapitalizar as empresas", disse.

Se é certo que a estratégia portuguesa, de devolução de direitos, eliminação de medidas de austeridade e aumentos salários (como aconteceu com o salário mínimo), tem feito soar os alertas vermelhos por parte de vários representantes europeus, Centeno descarta as críticas e garante que a missão do atual Executivo é a de recuperar os rendimentos e "baixar impostos que deviam ser mais baixos, devido à natureza temporária dos aumentos". E assegura o compromisso de ir ao encontro às metas estabelecidas por Bruxelas, explicando que tem feito alterações sistemáticas, desde o início do ano, para ajustar o Orçamento do Estado em função dessas mesmas metas e expectativas.

CGD em destaque

Na entrevista, Centeno abordou ainda o plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, com o ministro a destacar a existência de "um plano de negócios muito ambicioso" e de "uma equipa de gestão muito profissional".

"Penso que o mercado vai perceber muito facilmente que se trata de uma operação muito ambiciosa e orientada para o mercado, e por isso estamos confiantes em levantar os 500 milhões de dívida subordinada que temos de ir buscar ao mercado", disse.