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ARC Ratings mantém Portugal um nível acima de “lixo”, mas piora estimativa para “negativa”

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“O aumento das preocupações da ARC quanto ao crescimento moroso da economia portuguesa é um dos fatores que explicam a alteração da perspetiva”, diz a antiga Companhia Portuguesa de Rating

A agência de notação financeira ARC Ratings manteve a nota atribuída a Portugal em ‘BBB-‘, o primeiro grau acima de lixo, mas piorou a perspetiva para ‘negativa’, abrindo a porta a uma revisão em baixa na próxima avaliação.

“O aumento das preocupações da ARC quanto ao crescimento moroso da economia portuguesa é um dos fatores que explicam a alteração da perspetiva. O rating [avaliação] também reflete preocupações quanto à qualidade do crescimento da economia portuguesa, que está muito centrada no consumo privado, em vez do investimento”, afirma a ARC Ratings num comunicado divulgado esta segunda-feira.

A agência de notação financeira justifica a revisão em baixa do ‘outlook’ [perspetiva] também com o setor bancário, cuja restruturação, considera, está a ser “lenta e a custar mais do que o esperado”, e pela exposição que tem à dívida soberana portuguesa.

A incerteza global causada pelo Brexit e as dificuldades nos mercados de exportação das empresas portuguesas são outras das preocupações da ARC.

Todos estes fatores “têm um impacto negativo na avaliação da ARC ao país”, sublinha a agência de rating, que manteve a nota atribuída mas piorou a perspetiva de ‘estável’ para ‘negativa’.

Por outro lado, a ARC diz que “o compromisso para a disciplina orçamental” do Governo socialista é um “fator de estabilização”, bem como “o apoio continuado” das instituições europeias, nomeadamente o Banco Central Europeu (BCE) através do seu programa de compra de ativos (‘Quantitative Easing’).

Outra “força considerável” de Portugal, aponta a agência, é o ajustamento orçamental que o país tem conseguido atingir, “embora a um ritmo mais lento”, bem como as reformas introduzidas pelo anterior Governo PSD/CDS.

“As melhorias estáveis na governação e na competitividade também estão refletidas no rating atribuído a Portugal, embora algumas dessas reformas tenham sido revertidas. As alterações políticas na privatização da TAP, no IRC e no salário mínimo demonstram os desafios de manter políticas orientadas para a competitividade e para o mercado num contexto de crescimento baixo”, afirma a ARC.

A ARC volta a pronunciar-se sobre o rating atribuído a Portugal a 3 de março de 2017.

A ARC era anteriormente conhecida como Companhia Portuguesa de Rating. Os seus acionistas são agências de 'rating' na Índia (a Care Ratings), da Malásia (a MARC), no Brasil (a SR Ratings), em Portugal (Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco) e o Reino Unido (Enigma Investment Holdings Limited).