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Grande distribuição aposta na luta contra o desperdício

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14 milhões de euros é o valor dos produtos abrangidos nas parcerias do Pingo Doce com cerca de 600 instituições de solidariedade, em 2015

José Caria

Doações a instituições de solidariedade e vendas a preço reduzido de produtos a perder validade são as estratégias

O combate contra o desperdício, nomeadamente de produtos alimentares, é uma das principais apostas da grande distribuição, num contexto em que a Comissão Europeia definiu 2014 como o Ano Contra o Desperdício Alimentar, tendo como meta a redução a 50% do desperdício em 2020.

O Continente foi dos primeiros hipermercados a estar alinhado com esta tendência, em 1994, muito antes do ano oficial e destes objetivos terem sido traçados. Reaproveitamento e redistribuição de alimentos a instituições de solidariedade foram alguns dos primeiros projetos e desde há dez anos que os hipermercados da Sonae têm uma equipa que monitoriza os processos internos de combate ao desperdício alimentar.

Lançado este ano, o projeto ‘Transformar.te’ consubstancia este posicionamento, ao dedicar-se a esta luta em todas as frentes da cadeia. “O projeto complementa o esforço de redução da quebra, procurando dar valor à quebra existente (que é inevitável neste tipo de atividade), e está alinhado com a estratégia de responsabilidade social da marca”, explica Nádia Reis, diretora de ativação, relações públicas e responsabilidade social do Continente, referindo o projeto de transformação de resíduos alimentares das lojas em energia, o W2E (Waste to Energy) como outro exemplo nesta área.

O Pingo Doce, por seu lado, garante que em 2011 foi a primeira empresa de distribuição alimentar a aderir ao Zero Desperdício, da associação DariAcordar, e em 2014 estabeleceu uma parceria com a Refood, movimentos dos quais fazem parte também o Continente, bem como todos os restantes supermercados contactados pelo Expresso (Auchan e Lidl).

Por outro lado, “o Pingo Doce integra os chamados ‘legumes feios’ — que eram anteriormente deixados nos campos e que passaram a ser comprados a produtores agrícolas — nas sopas, saladas e refeições-prontas que comercializa nas suas lojas”, avança fonte oficial da marca de grande distribuição da Jerónimo Martins, acrescentando que esta prática lhe valeu uma distinção no European Business Award.

Na Auchan, o olhar de forma integrada para esta temática começou em 2012 e tem vindo a desenvolver-se, com iniciativas como a venda de produtos avulso, embalagens com doses menores e colocação de etiqueta laranja nos produtos cujo prazo de validade está próximo do fim.

A sensibilização de clientes, com o lançamento de receitas para aproveitar as sobras em casa e a doação de produtos de quebra a instituições de solidariedade, bem como a sensibilização dos funcionários, são outras das iniciativas.

O Lidl alinha também com este tipo de projeto, salientado que foi essa preocupação que o levou, em 2005, a procurar soluções para o desperdício. “Reforçando os mecanismos da nossa operação foi lançado o projeto de venda de artigos que estão na véspera da DLL (data limite Lidl), data que antecede a data de validade na embalagem, com uma redução de preço”, explica fonte da comunicação do Lidl. O projeto mais recente, lançado em fevereiro, diz respeito a ações de sensibilização junto dos clientes.