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CDS força audição de António Domingues na comissão de inquérito à CGD

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O novo presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues, vai ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao processo que conduziu à necessidade de recapitalização do banco público. Esquerda foi contra

O pedido de audição foi apresentado esta tarde pelo CDS durante uma reunião de coordenadores desta CPI, mas a proposta foi inicialmente chumbada pelo PS, BE e PCP, por entenderem que esta audição a Domingues - que tomou posse como presidente da CGD na semana passada - não se encaixava no âmbito dos trabalhos da comissão, que abrange a gestão da CGD entre 2010 e 2016.

Mas o chumbo dos partidos da esquerda levou o CDS a avançar com um pedido potestativo de audição que forçou a audição de Domingues. "Como a CPI tinha deliberado ouvir o presidente em exercício da CGD, entendemos que fazia sentido ouvir o novo presidente. Fomos surpreendidos pelo chumbo da maioria, mas o CDS exerceu o seu direito potestativo e António Domingues será ouvido", explicou aos jornalistas o deputado João Almeida, no final da reunião.

Para o deputado centrista, embora António Domingues só tenha tomado posse já depois do arranque dos trabalhos da CPI, a audição justifica-se pela necessidade de "fazer um ponto de situação sobre a realidade da CGD".

A data da audição não está ainda definida, mas a expectativa dos centristas é que a mesma ocorra "num prazo razoável". Aliás, além da discussão em torno da audição de António Domingues, a reunião de hoje não permitiu ainda fechar qualquer calendário para as dezenas personalidade já convocadas por todos os partidos.

Conforme explicou aos jornalistas o presidente desta CPI, o deputado Matos Correia, o regresso aos trabalhos desta comissão terá agora como prioridade a contestação à recusa de envio de documentos por parte de entidades como o Banco de Portugal e a CGD, sob a alegação de que os mesmos se encontram abrangidos pelo sigilo bancário.

"Isto levanta problemas graves ao funcionamento desta CPI e entendemos que está recusa não é aceitável", argumentou Matos Correia, recordando que as CPI têm poderes equiparados a poderes judiciais.

Recorde-se que a CPI ao processo de recapitalização da CGD arrancou ainda em Julho, com as audições do anterior presidente do banco, José de Matos, do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e do atual ministro das Finanças, Mário Centeno.

A CPI abrange a gestão da CGD entre 2010 e 2016 e os pedidos de audições já feitos por todos os partidos incluem, entre outros, os nomes de todos os ministros das finanças, presidentes e administradores de topo da CGD e governadores do Banco de Portugal durante o período em análise.